Juliana Schmitt traz um aparato de informações a respeito do estudo da História da Morte, um ramo da historiografia dedicado à pesquisas sobre a relação do homem com a morte durante os séculos.
Assim, no primeiro capítulo, Schmitt descreve as transformações ocorridas no âmbito da morte e do morrer, explicando a visão que a sociedade tinha na Idade Média, na Modernidade e na Contemporaneidade. Além disso, discorre sobre os motivos pelo qual nós, contemporâneos, não falamos sobre a morte e, ainda, buscamos sublimá-la.
No capítulo 2, a autora fala sobre o histórico dos cemitérios, como eles se modificaram estruturalmente e conceitualmente. Por exemplo, no medievo, os cemitérios eram lugares de sociabilidade, presente no cotidiano das pessoas, que não buscavam apenas a memória das pessoas, mas sim sua presença. Assim, de certa forma, mortos e vivos coabitavam o mesmo espaço. Especialmente porque os falecidos eram enterrados dentro das igrejas ou em suas proximidades. Na modernidade isso muda. As pessoas estão mais ligadas a memória de seus mortos, mas não os querem ao seu redor, devido a uma questão higienista. Além disso, o cemitério, agora, longe de ser um lugar de festas, danças e de sociabilidade, como era no medievo, passa a ser um lugar de sobriedade, silencio e respeito.
Já no capitulo 3, Schmitt discorre sobre o luto na Era Vitoriana, sua ostentação, suas proibições e seus manuais. Fazendo, ainda, um paralelo brilhante com o momento pandemico.
Três lições de História da Morte é um livro fantástico, aborda muitos conceitos a respeito da morte e do luto na contemporaneidade que nos permite reavaliar as relações que criamos com esses assuntos. Perfeito para qualquer historiador interessado em pesquisas sobre o tema, ou mesmo leigos no assunto.