Ir trabalhar como voluntária em um hospital num país distante não é uma decisão fácil. Principalmente quando isso implica não só em abrir mão do conforto de casa, mas também em enfrentar os pais e o namorado. Ainda assim, foi a escolha de Sílvia, uma jovem espanhola, estudante de medicina, que vai par a índia. Sozinha em um país distante, além de se deparar com uma realidade muito diferente da sua, é colocada diante de situações extremas e conhece pessoas que tornarão muito especiais. É uma experiência que muda sua vida e seu modo de pensar. "Batendo à porta do céu" é um livro envolvente, que além de mostrar algumas das maravilhosas facetas da índia, conduz o leitor a várias reflexões.
Batendo à porta do céu -
Jordi Sierra i Fabra
Edições (1)
Ver maisBatendo a porta do céu é um dos livros favoritos de 2014. Li em poucas horas, sem ao menos desanimar. Logo na sinopse, imaginei que seria assim, que ele seria uma agradável leitura. Encontramos aqui a história de uma jovem estudante de medicina, Silvia. Ela mora em Barcelona e vive com seus pais, doutores reconhecidos mundialmente. Ela acaba indo parar na mesma carreira que eles, mas com um pensamento diferente, visto que atende a população menos favorecida. Durante as férias de verão, ela decide ir para a Índia, mesmo contra a vontade de seus pais, principalmente do pai, que não entende os pensamentos de sua filha. Silvia é bastante corajosa e decidida. Chegando lá, conhece o hospital onde ficará trabalhando voluntariamente e que é mantido por doações de assistências que ficam na Espanha. Lá ela encontra uma realidade que, mesmo sendo o que já se imaginava, fica impressionada. Ela conhece a Dra. Elizabeth Roca, uma das responsáveis pelo hospital, e as duas acabam ficando bem amigas. Entre outras pessoas, conhece Viji, uma jovem de 18 anos que ainda não se casou por ter uma deficiência na perna e em um dos olhos. Conhecemos também Mahendra, que é considerado o príncipe por lá. Viúvo, vive sozinho em sua casa, pois, em um grave desastre, perdeu sua esposa e todos os filhos. Ele não sai e vive na solidão, só com a companhia de um funcionário. Mas com Silvia ele acaba se libertando um pouco saindo da sua solidão. Durante esse tempo que Silva fica lá, ela acaba pensando sobre muitas coisas e uma delas é a relação que tem com Arthur, seu namorado, que também não apoiou sua decisão de ir para a Índia. Outro personagem que nos chama atenção é Leonardo, jovem da Espanha que está lá pela segunda vez. Logo de início nos parece ser uma pessoa muito arrogante, mas no decorrer da história percebemos um rapaz totalmente diferente, um batalhador que luta para ser um ótimo oftalmologista e que já sofreu um pouco com suas decisões. É um livro com uma leitura leve. Mesmo com um tema triste, a realidade da Índia, Silvia foi corajosa e correu atrás do seu sonho e pretende voltar lá a cada verão para fazer sua parte, que inclusive deixou os pais muito orgulhosos. Conhecemos uma nova Silvia no término dessa história, com novos pensamentos e novas ideias. Para mim o livro poderia ter uma continuação, de tão agradável que foi a leitura. Um dos trechos que ficou mais na minha cabeça foi uma citação de uma frase: “O tempo é muito lento para os que esperam, muito rápido para os que têm medo, muito comprido para os aflitos, muito curto para os alegres, mas para os que amam, o tempo é uma eternidade.” O trabalho da editora, como sempre impecável, com folhas amarelas e diagramação perfeita para leitura, trabalho gráfico lindo mais uma vez.
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