Muito já se escreveu sobre as famílias em ritmo de queda, toda a literatura envolvendo os dramas familiares está repleta de historias assim, mas são poucos os romances que assumem e se comprometem com a tarefa de narrar a escalada "social" de uma família, ainda mais quando essa família em questão é bem desconstruída para os padrões suecos da época.
Todos os personagens tão cheios de carisma e humor, envolvidos por toda a beleza natural de sua terra são todos belamente descritos, todos humanamente perdoados por seus erros, todos compreendidos por uma escrita leve, suave, que começa sem nos prometer coisa alguma, e termina da mesma forma, com a natureza mostrando sua fúria e falando mais alto que as vontades dos homens, que por hora parecem marionetes diante da imensidão maior que a todos guia.
Obra fruto de um exílio imposto pelo próprio autor, luxo esse que poucos autores se permitem ter, Strindberg após anos de ostracismo literário resolve se redimir. Se redimir por suas criticas consideradas ferozes, quando ser um formador de opinião não era moda ainda, e ele sendo um artista resolve se redimir através da arte, através da Gente de Hemsö, o povo Sueco, em um romance que termina marcado pela sensação de saudade e a conquista de um crescimento interior (algo meio Bildungsroman...) advindo através da perda.
Não é difícil de descobrir em tão poucas paginas a razão pela qual esse livro ainda permanece no coração do povo Sueco.