Edie tem vinte e poucos anos e está tentando descobrir quem é e o que quer ser — tudo isso enquanto trabalha numa editora e faz as piores escolhas amorosas possíveis. Pela internet, ela conhece Eric, um homem branco de meia-idade que tem um casamento aberto e com quem inicia um relacionamento. Quando Edie perde o emprego, a esposa de Eric, Rebecca, convida a jovem para passar um tempo em Nova Jersey, onde vivem com Akila, a filha adotiva do casal — que também é negra. Com essa nova dinâmica familiar — marcada pelas tensões políticas, sociais, econômicas e identitárias dos tempos atuais —, as intenções e os pontos de vista de todos os personagens estarão em xeque. E, assim, através de um emaranhado de raiva, dor, ternura e afeto, Edie talvez consiga compreender mais a respeito de si mesma, de seu talento e de seu lugar no mundo. "Este livro é ridiculamente bom: lindo, sombrio e divertido, com frases que vão acabar com você." — Carmen Maria Machado, autora de Na casa dos sonhos "Um livro tenso, afiado e engraçado sobre ser jovem. Brutal e brilhante." — Zadie Smith
Luxúria - e-book
Raven Leilani
O livro do momento é diferente dos romances hypados atuais. Ele não trata dos problemas de jovens adultos de classe média e alta e nem está preocupado em denunciar o racismo ou ensinar alguma coisa. Como muito bem observado por Alexandra Schwartz na @newyorkermag: “A circulação nas redes sociais de listas de leituras antirracistas tendem a posicionar os livros de autores negros como o brócolis da literatura americana, para serem consumidos por leitores brancos como forma de nutrição, não divertimento. Parece um truque delicioso que Luxúria tenha surgido desse contexto. Imagine buscar uma lição e, em vez disso, encontrar a solitária e confusa Edie, sem qualificação para ensinar ninguém, menos ainda a si mesma”. Assim, quando aborda o racismo, a autora é sarcástica e cínica, deixando claro como mesmo quem se considera mais progressista não deixa de fetichizar, estereotipar e tratar diferente a sua protagonista que, por sua vez, desafia a narrativa da vítima: sai com todos os homens da empresa, gosta de ser tratada com violência e até tem talento, mas não o bastante (“o que é pior do que ser ruim”). Fruto de uma família desajustada, Edie precisa se virar para sobreviver. É demitida por má conduta sexual e, não tendo a quem recorrer, vai trabalhar como entregadora em um app e termina sendo despejada. Enquanto isso, vai a encontros com Eric, um homem branco que acaba de abrir seu casamento e que funciona como uma problemática figura paterna pra ela. No entanto, é quando conhece Rebecca, esposa de Eric, e vai morar com eles que a virada do enredo acontece. Edie não é maltratada e nem entra em um tórrido relacionamento a três. O que ocorre é que, enquanto deveria servir como a referência negra para Akila, filha adotiva do casal, ela cria um ambivalente laço com Rebecca. É na observação desta mulher, cujas motivações nunca entendemos muito bem, que Edie começa a ser capaz de enxergar a si mesma e, de fato, se tornar adulta. O vazio em sua vida, porém, não vai ser resolvido facilmente. O gozo prometido não chega. Luxúria é um livro sobre ser jovem, solitária, não se encaixar em lugar algum e mesmo assim seguir adiante. Acho que nada é mais contemporâneo do que isso.
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