Que linda e justa homenagem a um incrível protagonista, o livro! Simplesmente o texto que descreve o livro que é escrito e comprado em qualquer lugar, um texto lindo, referente aos cuidados da elaboração textual, diagramação, ornamentação, que independente de onde ele seja adquirido, ainda assim, será o mesmo livro sempre. Porém, os livros que já passaram pela livraria Lost for words, já foram interpretados e compreendidos por alguém e, se chegaram até você, é porque foram feitos para você. Esse texto dá uma importância tangível ao livro, em especial ao livro físico. Simplesmente incrível. Mesmo antes de findar a leitura deste texto, eu já me identificava como leitor que sou, com o toque, ou melhor, a conexão desta passagem, principalmente quando estou em livrarias de livros usados "sebo" e os livros me encontram.
O livro, descreve os aspectos sociais, mediante o auge da pandemia de Covid19, em meio a restrições, lockdown, distanciamento, sugeridos pela OMS, em virtude da alta contaminação de um vírus mortal, onde alguns recursos individuais foram de certa forma empregados em nosso dia a dia, como, por exemplo, redes sociais, séries televisivas, atividades físicas solitárias, home office e um crescimento considerável pelo hábito de leitura.
O livro, ao trazer esses aspectos culturais e comportamentais, trará também uma profunda reflexão, criando um paralelo com nossas impressões e lembranças aflitivas, recheadas de angústias, ansiedades que darão a textura necessária, quase ilustrando os curtos capítulos desta obra sentimental.
Vale ressaltar o imenso carinho com que os livros são tratados nesta história, assim como os vários personagens que cruzarão em um dado momento com a história da livraria Lost for words. Cada personagem, com histórias singulares, certamente representa, de forma fragmentada, a história de milhares que sobreviveram ou não ao vírus e suas consequências.
Uma livraria fictícia, mas que cabe o rótulo representativo de referência a todas as livrarias de todo o mundo. E o que a faz extraordinária? Além do conceito de protagonismo, a extraordinária ideia de torná-la uma farmácia, sendo os livros o remédio para curar a solidão do isolamento social, as crises de ansiedade e a incerteza financeira e até da subsistência, a ideia de tratamento para esse abalo emocional, faz com que essa livraria seja sem sombras de dúvidas, extraordinária, sintetizando a ideia de que cada leitor tem a sua Lost for words para chamar de farmácia, oráculo, refúgio, lar, templo.
O livro deixa uma importante mensagem, de valorização do hábito de leitura, da valorização dos livros e seus efeitos e por fim, valorizem suas livrarias, para que, em um futuro próximo, não pertençam somente a nossas lembranças. Como um dia, foram às videolocadoras, vocês lembram das videolocadoras?
Seria pleonasmo, redundância ou anáfora? O fato é que na crônica que fiz deste livro, repeti a palavra livro por mais ou menos umas quinze vezes, propositalmente, inconscientemente, por inspiração? Talvez! O factual é que o livro não me julga, me transforma, me ensina, me cura. Merece e sempre merecerá o seu respectivo destaque. Lembramos de Jean-Baptiste Grenouille, Jean Valjean, Raskólnikov, Emma Bovary, Heathcliff and Catherine Earnshaw. Mas jamais devemos esquecer que todos esses inesquecíveis personagens, entre outros, nasceram e se eternizaram entre páginas de livros.
Boa leitura!