A menina que não queria ser top model me surpreendeu. Não esperava que a densidade de assuntos familiares mal resolvidos e dramas alimentares fosse abordada de maneira sutil e com uma linguagem tão fácil e simples. Os capítulos são intercalados entre a narrativa da Vitória, da mãe, e um narrador em terceira pessoa. Ao contrário do que sempre digo quando leio livros assim, esse não é cansativo. Adorei a maneira como Lia Zatz conduziu a história, mostrando ao leitor o ponto de vista de cada um dos personagens. A sensação era estar vivendo um verdadeiro debate entre mãe e filha que, embora vivessem juntas, eram verdadeiras desconhecidas uma para a o outra.
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Para meu deleite, minha opinião em relação à mãe de Vitória mudou totalmente no decorrer da leitura. Adoro quando um personagem muda minha maneira de enxergar e ganha a minha simpatia. Por mais que Virgínia seja uma mãe louca de pedra - e acreditem, ela é - entender um pouco mais sobre sua vida e tudo o que teve que enfrentar me fez abrandar a raiva e me colocar em seu lugar.
Outro ponto que não posso deixar de comentar é a revisão impecável da editora e o cuidado com os detalhes. O livro é lindo e conta com ilustrações que conferem um charme todo especial e um ar descontraído e jovem. É tão gostoso folhear um livro tão caprichado, que parece ter sido feito sob medida para agradar ao leitor. AMEI.