Um livro sobre revolta, liberdade social e a luta apaixonada de ser o que se é. Joana D Arc e Maria Quitéria. Apesar das muitas diferenças que as separam, muitas linhas as unem para dar forma a uma revolução sedimentada que só hoje se consolida: a da autodeterminação. A de viver de acordo com nossos anseios primordiais, a despeito de todas as restrições: morais, religiosas, legais e institucionais. Mulheres que compartilhavam uma inusual vocação militar e que, contra todas as probabilidades de realizarem tal desejo, tornam-se heroínas nacionais. Vamos elucidar o estranho sucesso dessa empreitada, já que ela não é – e nem poderia ser – solitária e voluntariosa. Um livro que retrama a rede social por meio de imagens e representações visuais dessas heroínas (imperfeitas), desvelando como elas, astuta e frontalmente, dão forma à “expressão de si”, assim como apontam para algo que nos falta: a luta por um futuro comum, por um propósito que nos una e nos ultrapasse.
Revolucionárias - Joana d'Arc e Maria Quitéria
Isabelle Anchieta
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O livro Revolucionárias: Joana d'Arc e Maria Quitéria, escrito por Isabelle Anchieta, é uma obra instigante que une duas figuras históricas de contextos e continentes distintos, mas que compartilham algo fundamental: a coragem de desafiar normas e lutar por ideais em um mundo dominado por homens. Diferentemente de livros de ficção que costumo devorar, essa obra apreciei de forma lenta e pausada. Esperava absorver da melhor forma as passagens da vida de duas mulheres cuja coragem e determinação marcaram a história. Página por página, imagem por imagem, fui relembrando passagens que já conhecia da tão documentada vida de Joana Darc. Por outro lado, conheci mais profundamente Maria Quitéria, cuja figura e nome eu já tinha conhecimento, mas sem o mesmo volume de informação que Joana. Inclusive, a própria autora relata maior dificuldade em encontrar e acessar informações da brasileira, em comparação com Joana. A narrativa é envolvente e busca dar ao leitor uma abordagem reflexiva sobre as trajetórias de Joana e Maria Quitéria. Não apenas narra a vida das duas, mas também contextualiza o momento histórico em que estavam inseridas. A autora mostra como, apesar das distâncias geográficas e temporais, Joana e Maria Quitéria compartilham características que as tornaram heroínas: determinação, ousadia e um senso de justiça. No fim das contas, Isabela também faz uma reflexão sobre o papel das mulheres na história e destaca como muitas delas tiveram suas contribuições apagadas ou minimizadas. Mas o que mais me encantou no livro foi o cuidado da autora com a pesquisa histórica. Foi um verdadeiro mergulho no passado: apresentando fontes, dialogando com historiadores e construindo uma narrativa bem direta e acessível. Não foi cansativo. Acho que ela encontrou um equilíbrio. Além disso, o livro é cheio de imagens de locações e de obras de arte; sem contar os vídeos que são acessíveis por QR Code, em que podemos ver locações reais em que ocorreram batalhas ou obras que estão expostas em museus. Tudo isso ajuda o leitor a visualizar os momentos vivenciados por Joana e Maria. Achei a obra inspiradora. Mostrando que as vozes femininas sempre estiveram presentes, mesmo em períodos em que suas ações eram vistas como subversivas. Ao colocar Joana dArc e Maria Quitéria lado a lado, Isabelle Anchieta não apenas homenageia essas duas mulheres, mas também reafirma a importância de resgatar histórias de resistência e transformação. Mais do que recomendo! Leia, aprecie, reviva a biografia dessas duas mulheres. Garanto que não vai se arrepender.
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