Elza -

    Zeca Camargo, Elza Soares

    Pingo de Ouro
    2021
    400 páginas
    13h 20m
    ISBN-13: 9786599083877
    Português Brasileiro

    Esta é a história de Elza Soares, ícone da música e da cultura brasileira. Ou melhor: as histórias, pois nela não cabe uma só mulher, mas mil mulheres. De quantas Elzas vamos falar? De todas e de uma só. Nesta narrativa - acima de tudo, uma grande história oral -, tempo e cronologia se confundem e, finalmente, desistem de se impor sobre aquela senhora sentada no trono de um grande palco.

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    Daniel Moraes04/04/2022Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Elza, por Zeca Camargo

    Elza, biografia escrita pelo jornalista e apresentador, Zeca Camargo, publicada pela Editora Leya, é um livro atemporal, que conta a história da voz do milênio, a voz inconfundível da mulher que sempre foi a frente do seu tempo, Elza Soares. Como qualquer biografia, esse livro é uma joia rara que o jornalista Zeca Camargo trouxe ao longo de dois anos, pesquisando sobre quem foi a musa, a diva, a potência da voz brasileira, reconhecida mundialmente em 2000 pela BBC de Londres como “a Voz no Milênio”. Ícone da música brasileira, considerada uma das maiores artistas do mundo, a cantora eleita como a voz do milênio teve uma vida apoteótica, intensa, que emocionou o mundo com sua voz, sua força e sua determinação. Inicialmente somos apresentados à Elza, ainda criança de origem humilde, nascida na favela da Moça Bonita que hoje é conhecida como Vila Vintém, localizado no bairro de Padre Miguel, no Rio de Janeiro. Diferente de seus irmãos, Elza sempre esteve a um passo a frente desafiando os infortúnios que a vida lhe impunha, mesmo que tivesse que apanhar por conta de suas artimanhas pelo simples fato de levar comida para casa. Já na adolescência, foi obrigado a se casar com um garoto de origem italiana, pelo fato de ele ter tentado lhe beijar — ou ir, além disso — a contragosto. Seu pai, homem de lavoura, rígido de costumes arcaicos acreditou que ela tivesse se entregado ao jovem. Não restou outra alternativa, senão se casar com o rapaz. Casou-se muito jovem e se tornou mãe ainda na adolescência. Desde criança tinha o sonho de ser cantora e, por volta de 1950, se inscreveu no programa de rádio “Calouros em Desfile”, apresentado por Ary Barroso, onde cantou “Lama”, música de Paulo Marques e Aylce Chaves, e garantiu nota máxima no programa do Ary Barroso, ou como ela mesma sempre dizia, “Seu Ary” As oportunidades vieram a partir de então, onde Ary Barroso disse uma frase que ficaria marcada para sempre em Elza: “nasce uma estrela”. Mesmo conseguindo esse título, Elza não se viu num mar de felicidade e riqueza. Passou mal bocados e teve que se desdobrar para ser conhecida mundialmente. Ao longo de sua vida, perdeu o pai, a mãe, filhos, o marido e seu grande amor, que ela sempre gritou para o mundo sobre sua paixão, Mané Garrincha, jogador de futebol. Sua carreira se alavancou após gravar a música “Se Acaso Você Chegasse”, na década de 60, época em que realizou turnês por países como Argentina, Estados Unidos e México e chegou a se mudar para Itália com a família para fugir dos ataques que sofreu durante a ditadura. Sua relação amorosa com Garrincha, em que ela era apaixonada, tornou-se ao longo dos anos, um complicador, por conta do seu vício em bebida. Mesmo estando alcoolizado, Elza nunca expôs o marido como um bêbado, mas sim, ocultou tudo por amor ao jogador. De lá para cá, Elza sempre esteve se reinventando, remodelando e se reciclando. Nunca ficando parada, estagnada, algo que ela nunca se permitiu: ficar sossegada. Mesmo acidentada, com dores, ou por conta de cirurgia, Elza sempre se entregou para a música. Seis décadas de carreira, Elza lançou o disco “A Mulher do Fim do Mundo”, de 2015, o primeiro álbum com músicas inéditas da cantora e, venceu o Grammy Latino, considerado pelo The New York Times, o melhor álbum de músicas do ano. Em 2018, lançou o disco “Deus É Mulher” e no ano seguinte, “Planeta Fome”, inspirado em sua vida sofrida na infância, frase que ela a tornaria musa no programa “Calouros em desfile” do apresentador Ary Barroso na década de 50: “Então, agora, me responda, menina, de que planeta você veio” “Do planeta fome” No dia 20 de janeiro de 2022, Elza Soares, cantora e compositora brasileira, faleceu aos 91 anos, de acordo com assessoria da artista, Elza morreu de causas naturais. A Cantora deixa 36 discos, seis coletâneas e um legado inesquecível na música brasileira. O desfecho do livro dá um nó na garganta ao saber que a contara não está mais entre nós, mas seu legado, sua música permanece viva, latente em nossas vidas, nossos ouvidos. Em um derradeiro parágrafo, o jornalista Zeca Camargo encerrou o livro desta forma: “Eu não tenho idade… Eu tenho tempo.” Confira a resenha completa no blog Irmãos Livreiros:

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