Cine Subaé - Escritos sobre cinema (1960-2023)

    Caetano Veloso

    Companhia das Letras
    2024
    440 páginas
    14h 40m
    ISBN-13: 9788535936612
    Português Brasileiro

    Reunião de críticas e depoimentos sobre os filmes que marcaram a trajetória de uma das principais vozes da nossa cultura. Nome central da música e da poesia brasileira, Caetano Veloso é um cinéfilo singular. Sua adolescência foi moldada pela programação do Cine Teatro Subaé, em Santo Amaro, época em que cogitou se tornar crítico de cinema. Ao longo da vida, os filmes continuaram a ter papel decisivo em seu estilo de compor canções e conceber visualmente os shows. Este volume reúne críticas escritas na década de 1960, publicadas no periódico Archote — muitas delas inéditas em livro —, além de colunas de jornais, entrevistas, depoimentos e comentários que revelam as predileções, as reflexões e o vasto repertório cinematográfico do compositor. Com organização de Claudio Leal e Rodrigo Sombra, Cine Subaé é um precioso testemunho que atesta o impacto que o Cinema Novo, as películas exuberantes norte-americanas, o neorrealismo italiano e o existencialismo das fitas francesas tiveram sobre a formação cultural de Caetano Veloso.

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    João Guilherme Gurgel08/11/2024Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    O samba quis dizer: eu sou o cinema.

    A Tropicália é um filhote do Modernismo. Não só por seus componentes serem multi/poli artistas; mas por seus membros serem, sumariamente, observadores do Brasil, entendedores das montanha russas culturais, das ascendências e descendências de tendências, e tudo que tece a identidade de nossa nação. Neste ínterim, aqui, são reunidos todos os escritos sobre cinema feitos por Caetano Veloso; desde a artigos confeccionados no início da década de 60 (na época em que trabalhava como crítico cinematográfico) até entrevistas feitas no último ano. Indo do cinema europeu ao americano, migrando para o Cinema Novo, Caetano reflete sobre as mudanças na sétima arte (além de estarem incutidas suas entrevistas e depoimentos sobre seu primeiro e único filme, *O Cinema Falado*, lançado em 1986), além de traçar paralelos entre o cinema comercial e experimental. Há falas que concordo, há falas que discordo, como há o tipo de comentário que acho inacreditável de não ser ironia (*Prefiro Mick Jagger à Ingmar Bergman…* ; ou as críticas feitas à *Paris, Texas* [1984], de Wim Wenders…). Discordo de muitas coisas (como sua opinião sobre o clássico do Cinema Novo *Os Fuzis* [1963], do qual ele crera ter soado falso), e, mesmo assim, admito que a argumentação de Caetano é muito boa, sendo sempre um excelente comunicador de suas ideias. Temos admiração por Fellini, por Godard, uma paixão (secreta) por Anna Karina, e um profundo respeito por Glauber Rocha, - divergente ou convergente com a sua própria visão do cinema, é inegável a profundidade do autor, indo do popular ao eruditismo e, assim, respeitando igualmente a ambos. Haverá quem diga que são textos pretensiosos. E daí? Respondo com muita ALEGRIA, ALEGRIA; por que não?, por que não? Well, nine out of ten movies stars made him cry.

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