Pauliceia desvairada -

    Mário de Andrade

    Arlecchino
    2021
    184 páginas
    6h 8m
    ISBN-13: 9786599421013
    Português Brasileiro

    Pauliceia Desvairada foi o segundo livro escroto por Mário de Andrade, mas o primeiro que criou de acordo com a estética modernista por ele defendida. Os poemas que compõem a obra começaram a ser redigidos em dezembro de 1920, no entanto, só seria concluída em dezembro de 1921e publicada ainda depoisem julhode 1922, pela editoraCasa Mayença, de São Paulo. Causando estranhamento ainda nos dias de hoje, o livro se tornou um marco do modenismo brasileiro, sendo uma de suas primeiras grandes realizações.

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    Jairo Silva04/08/2023Resenhou um livro
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    Paulicéia Desvairada

    Paulicéia Desvairada foi publicada em 1922, mesmo ano da Semana de Arte Moderna, foi um marco da literatura e traçou os alicerces da estética do Modernismo no país.  A antologia de contos do escritor paulista foi a primeira obra realmente de vanguarda do movimento Modernista. A mim o que impressionou foi o "prefácio interassantísssimo", que traz 66 pequenos textos, com anotações, explicações, questionamentos e divagações. Em meu livro foram muitas as anotações sobre esse capítulo inicial. Dos demais textos, com certeza "Ode ao Burguês" é o que mais se destaca. Texto obrigatório em qualquer aula de literatura. Ode ao burguês Eu insulto o burguês! O burguês-níquel, o burguês-burguês! A digestão bem-feita de São Paulo! O homem-curva! O homem-nádegas! O homem que sendo francês, brasileiro, italiano, é sempre um cauteloso pouco-a-pouco! Eu insulto as aristocracias cautelosas! Os barões lampiões! os condes Joões! os duques zurros! que vivem dentro de muros sem pulos; e gemem sangues de alguns mil-réis fracos para dizerem que as filhas da senhora falam o francês e tocam os Printemps com as unhas! Eu insulto o burguês-funesto! O indigesto feijão com toucinho, dono das tradições! Fora os que algarismam os amanhãs! Olha a vida dos nossos setembros! Fará Sol? Choverá? Arlequinal! Mas à chuva dos rosais o èxtase fará sempre Sol! Morte à gordura! Morte às adiposidades cerebrais! Morte ao burguês-mensal! ao burguês-cinema! ao burguês-tílburi! Padaria Suissa! Morte viva ao Adriano! "– Ai, filha, que te darei pelos teus anos? – Um colar... – Conto e quinhentos!!! Mas nós morremos de fome!" Come! Come-te a ti mesmo, oh gelatina pasma! Oh! purée de batatas morais! Oh! cabelos nas ventas! oh! carecas! Ódio aos temperamentos regulares! Ódio aos relógios musculares! Morte à infâmia! Ódio à soma! Ódio aos secos e molhados! Ódio aos sem desfalecimentos nem arrependimentos, sempiternamente as mesmices convencionais! De mãos nas costas! Marco eu o compasso! Eia! Dois a dois! Primeira posição! Marcha! Todos para a Central do meu rancor inebriante Ódio e insulto! Ódio e raiva! Ódio e mais ódio! Morte ao burguês de giolhos, cheirando religião e que não crê em Deus! Ódio vermelho! Ódio fecundo! Ódio cíclico! Ódio fundamento, sem perdão! Fora! Fu! Fora o bom burgês!...

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