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Bom-senso e bom-gosto - carta ao excelentíssimo senhor Antonio Feliciano de Castilho
Antero Tarquínio de Quental
Edições (3)
Ver maisO texto presente é uma carta de Antero de Quental a Antônio Feliciano de Castilho, onde o primeiro responde às críticas realizadas pelo segundo. Na carta, Antero de Quental retruca as criticas recebidas com outras críticas ao modo com que os poetas Românticos escreviam. Por não ser vinculado a escolas literárias, pode falar livremente acerca das ambições, vaidades e misérias tanto da vertente literária naquele momento presente(Romantismo), quanto da posição a ele atribuída do qual este não o almejava. Ele escreve a Antônio que o ataque feito por este, não foi apenas o ataque de escolas literárias, mas sim aos escritores que fazem o seu trabalho sem consultar os grandes “mestres”. A guerra foi travada a quem pensa por si só e se revolta contra as autoridades. Quem trava esta guerra é a vaidade desses “mestres” e autoridades que incomodados pela inconveniência por sofrerem um “puxão de orelhas”, querem combater esses hereges por seu atrevimento, imprudência de serem independentes e, por quererem inovar. Essa guerra, segundo o autor, foi travada de forma mesquinha por considerar as novas ideias muito piores do que uma má escrita. Ao discordar deste pensamento, Antero afirma que “o escritor quer o espírito livre de jugos, o pensamento livre de preconceitos e respeitos inúteis, o coração livre de vaidades incorruptível e intemerato”, assim,ele será um bom escritor. Mas, se um escritor depender de opiniões alheias este não é um bom escritor. O escritor que fica “de capela em capela” com o intuito de adular todos os ídolos para conseguir fama, estes estão apenas atrás de ambição e vaidade, critérios considerados pelo autor da carta, como miseráveis já que quando a fama acabar eles serão esquecidos. Já os autores que são independentes, pensam e escrevem o que lhes vêm à mentes, não precisam elogiar ninguém para escreverem. Não conhecem ambições ou orgulho e “morrem nobres e puros” “porque têm a cabeça do gênio e o coração da inocência”, sendo assim chamados de poetas. De nada adianta utilizar palavras que iludem, mas desprezar as novas ideias. Esses autores fazem da poesia um instrumento das suas vaidades e dos seus interesses, sendo lindas aos ouvidos, cheias de técnica mas vazias de sentido. Mas a sociedade está em constante transformação e basear a literatura nas cresças e valores antigos, não leva à evolução. Propaga-se a melancolia e a tristeza, lugar este que deveria ser de uma sociedade viva, sã e formosa. Não é baseando-se em clássicos e indo pela maioria que se produzirá novas ideias e crenças que a “humanidade contemporânea precisa para se reformar como uma fogueira a que a lenha vai faltando”. Porém, os grandes pensadores não se encontram em Portugal. Eles se encontram na França, Inglaterra, Alemanha. E, Antero afirma que mesmo estes “grandes gênios modernos são grotescos e desprezíveis aos olhos baços do banal metrificador português”, ou seja, os grandes pensadores das revoluções francesa, positivismo, naturalismo, não influenciam até então a literatura portuguesa que está presa ao passado. Mas, quem seguir esses pensadores, terá o pensamento moderno em suas obras, criticas e uma nova filosofia embasando o seu trabalho.
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