A leitura deste livro não deixa de revelar um esforço dos mais interessantes de Spitzer em apreender, numa perspectiva comparada, trajetórias em diferentes contextos histórico-sociais, no sentido de analisar a experiência da marginalização de atores que vivenciaram uma inscrição precária em determinados setores dos grupos dominantes de seus respectivos lugares: ou como o autor prefere dizer, personagens cujas vidas foram percebidas como pertencentes a "dois mundos"; sem, contudo, pertencer integralmente a nenhum deles. Leo Spitzer (1887-1960) faz parte, ao lado de Erich Auerbach (1892-1957) e Ernst-Robert Curtius (1886-1956), da grande geração de germanistas da primeira metade do século 20. Partia da análise estilística cerrada das obras de autores como Voltaire (1694-1778), Racine (1639-1699) e Marcel Proust (1871-1922) para, a partir daí, tentar compreender a sua totalidade. Nascido em Viena, Spitzer lecionou nas universidades de Marburgo, Colônia, Istambul (Turquia) e, a partir de 1936, na Johns Hopkins. Foi professor emérito de história da Universidade de Dartmouth e autor, entre outros, de 'Hotel Bolivia: The Culture of Memory in a Refuge from Nazism', 'The Creoles of Sierra Leone: Responses to Colonialism' , 'Ghosts of Home: The Afterlife of Czernowitz in Jewish Memory' (com Marianne Hirsch), 'Três poemas sobre o Êxtase' e 'Racismo e Antissemitismo - as trajetórias de Stefan Zweig, André Rebouças e Joseph May'.
Vidas de entremeio - Assimilação e Marginalização na Áustria, no Brasil e na África Ocidental, 1780-1945
Leo Spitzer
UERJ
2001
290 páginas
9h 40m
ISBN-10: 8575110136
Português Brasileiro
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