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    Querido babaca -

    Virginie Despentes

    Fósforo
    2024
    274 páginas
    9h 8m
    ISBN-13: 9786560000162
    Português Brasileiro
    3.9
    49 avaliações
    Leram70Lendo13Querem131Relendo0Abandonos8Resenhas10
    Favoritos2Desejados131Avaliaram49

    Depois do enorme sucesso de A vida de Vernon Subutex, trilogia que lhe rendeu o epíteto de Balzac do século 21, e dos desdobramentos de seu ensaio Teoria King Kong — King Kong Fran, espetáculo de Rafaela Azevedo, é um exemplo — Despentes retorna à ficção com este romance epistolar best-seller que captura com humor e precisão desconcertantes o espírito do nosso tempo e faz pensar em uma versão ultracontemporânea do clássico francês As relações perigosas. Em seus quase cinquenta anos, Rebecca Latté é uma atriz famosa que acaba de atravessar o auge da carreira. Oscar Jayack é um escritor de meia-idade e de relativo sucesso. Casado e pai da menina Clémentine, sua vida vai bem até que, na esteira do movimento #MeToo, ele é acusado de assédio sexual por sua jovem e colérica ex-assessora de imprensa, Zoé Katana, que agora mantém um blog feminista para divulgar a história. Exemplo de masculinidade frágil incapaz de lidar com as frustrações, certo dia Jayack faz um comentário ofensivo sobre a aparência de Latté pelo Instagram. Numa estrutura de réplica e tréplica, os dois então avançam numa sequência de correspondências ácidas por e-mail. Entre os insultos trocados, Rebecca e Oscar também se permitem a honestidade e passam a trocar confidências a respeito de suas infâncias, do vício em drogas, do envelhecimento, da dificuldade de acompanhar um mundo em transformação e da experiência de confinamento pela pandemia de covid-19. Dessas cartas emergem temas como machismo, desigualdade de gênero, luta contra o patriarcado, interseccionalidade, cultura digital, saúde mental, parentalidade, entre outros. Enérgico, direto, raivoso e irônico, Querido babaca é também um profundo elogio ao diálogo em um mundo tomado pelo ódio. Com suas personagens vulneráveis e humanas, por quem ora temos empatia, ora desprezo, Despentes afasta qualquer maniqueísmo e se consolida como uma das maiores narradoras da atual comédia humana.

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    Resenhas (10)Ver mais
    Marcus Edrisse picture
    Marcus Edrisse14/06/2025Resenhou um livro
    3.5 (Bom)

    Uma relação construída e existente unicamente por trocas de e-mails. A cara da modernidade. A premissa é interessante, mas o excesso de pautas deixou o livro um pouco cansativo em muitos momentos. Assédio, misoginia, sexismo, dependência química, internet e seu poder destruidor, haters, e por fim, pandemia.

    10 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.9 / 49
    • 5 estrelas20%
    • 4 estrelas43%
    • 3 estrelas29%
    • 2 estrelas8%
    • 1 estrelas0%
    Virginie Despentes profile picture

    Virginie Despentes

    Virginie Despentes nasceu em Lyon, França. Publicou seu primeiro romance Baise-moi [Me fode] em 1993, aos 24 anos. Antes disso, no entanto, trabalhou numa loja de discos, numa de revelação fotográfica rápida, e depois como baby-sitter, prostituta e resenhista de filmes pornô. Sua vivência no submundo punk-rock e da prostituição a dotou de um olhar agudo para as hipocrisias da contemporaneidade. Desde então, com seu estilo cru e irônico, têm se firmado como uma das escritoras feministas mais polêmicas e relevantes da França. Viveu alguns anos em Barcelona junto a Paul B. Preciado, de quem foi companheira, tendo regressado a Paris em meados da década de 2010. Entre suas obras estão, Les Chiennes savantes [Cadelas eruditas], 1995; Les jolies choses [As belas coisas], 1998; Teen spirit [Espírito adolescente], 2002; Trois étoiles [Três estrelas], 2002; Bye Bye Blondie [Até logo, Blondie], 2004; Apocalypse bébé [Bebê apocalipse], 2010; e a trilogia iniciada em 2015, Vernon Subutex. Recebeu diversos prêmios ao longo de sua carreira, como o Prêmio Lambda de Literatura na categoria “não ficção LGBT”, em 2011; o prêmio Renaudot, em 2010; e os prêmios Landerneau e La Coupole, ambos em 2015. Como diretora de cinema, foi responsável tanto pela adaptação de Baise-moi, em 2000, e de Bye Bye Blondie, em 2012; quanto pelo documentário Mutantes (Féminisme Porno Punk), de 2009.

    28 Livros
    26 Seguidores

    Virginie Despentes