Navegando pela minha biblioteca do Kindle, me deparei com esse livro que eu vinha adiando há tempos, esquecido ali, no limbo das leituras prometidas. Então pensei: "Por que não agora?" Mal sabia eu no que estava me metendo. Que leitura rápida... e completamente insana.
Esse livro é maluco num nível que nem sei explicar. Não é surreal ou cheio de fantasia, mas tem uma lógica interna tão torta que parece que entrei num universo alternativo onde tudo é… estranho, desconfortável, mas hipnotizante.
A história é contada pelo ponto de vista de Johan e Maddie. Johan é o clássico vilão com passado difícil, que decide se vingar do vilão da sua vida... virando o vilão na vida de outra pessoa. Confuso? Ah, meu amigo, você não viu nada. Ele resolve que a melhor vingança é fazer a filha do seu algoz viver o mesmo pesadelo que sua mãe passou. A motivação dele até faz sentido, mas a forma como ele resolve colocá-la em prática... é questionável.
Já Maddie... Maddie é um caso à parte. O comportamento dela beira o absurdo. A mulher precisava urgentemente de terapia pesada e talvez um retiro espiritual. Eu entendi o que a autora quis transmitir, juro que entendi, mas tudo é tão fora da caixinha que eu me peguei pensando: “Isso é muito errado… mas pelo menos ele está aliviando.” COMO ASSIM ALIVIANDO?! Eu fiquei chocada comigo mesma, passando pano pro vilão logo nos primeiros capítulos.
Esse livro me causou um tipo de incômodo que eu nunca tinha sentido. Algo entre o “isso aqui tá muito errado” e o “não consigo parar de ler”. Me lembrou vagamente a sensação de “Perseguindo Adelaide”, mas mil vezes menos traumático. Uma mistura bizarra de repulsa e atração, que só aumentava a cada página. Sério, não sei explicar… só sentir.
A história se passa em uma única noite (como o título sugere), mas em termos de carga emocional, parece que se passam anos. A construção dos personagens é boa, coerente com o tom da obra, cheia de camadas... mas tudo tão contraditório que você fica questionando sua própria sanidade. Johan tem um passado pesado e vamos entendendo aos poucos o que o transformou. Maddie, por outro lado, é empática num nível quase assustador. A forma como ela lida com tudo é bizarra e até problemática, mas também há uma beleza estranha na escolha que ela faz de amar em vez de odiar. Ela o cura com paciência e respeito. Já ele... bom, ele se tornou o caos a que foi submetido.
Julguei todas as atitudes dos personagens, e no fim me peguei julgando a mim mesma por ter começado a achar que Johan nem era tão vilão assim. O que há de errado comigo?! A síndrome de Estocolmo grita do início ao fim. E talvez esse seja o ponto: estamos dentro da mente da mulher que está passando por isso, e também dentro da mente do homem quebrado. E quando olhamos para fora, para o pai dela, bate aquela dúvida incômoda: será que o Johan é mesmo a pior opção?
Foi uma leitura surpreendente. Pulei todos os avisos e a sinopse, então fui pega totalmente desprevenida. E, sinceramente, acho que vou precisar dar uma passadinha no psicólogo, hahaha. Gostei? Sim. Entendi? Sim, mas ainda estou processando o que li.