Rio de Janeiro, início do ano de 1831. Precisamente no dia vinte de janeiro nasce, de Elvira, filha de português com escrava índia, e José Frutuoso Rosalvo, anspeçada de soldo modesto, uma estranha criatura de cuja vida esta crônica vai tratar. No exato momento em que Elvira dava à luz o protagonista desta intrigante estória carioca, aconteciam dois eventos momentosos: subindo o morro do Castelo, na direção da igreja do padroeiro da cidade, seguia a Procissão de São Sebastião, acompanhada pela população esperançosa com fé e emoção; no sentido inverso, morro abaixo, descia a sinistra Procissão dos Ossos, assim chamada pelo fato de se destinar à tarefa de recolhimento dos despojos dos enforcados, ainda pendurados nos patíbulos da cidade baixa. Esses dois rituais, de natureza ao mesmo tempo semelhante e contraditória. marcam o destino do cozinheiro Sebastião Jara. Os estranhos acontecimentos que acompanham sua trajetória de moleque rejeitado e quase marginal à invejável posição alcançada nos mais seletos salões da nobreza cortesă e fluminense, expressam sempre uma estranha polaridade do ser que constrói e destrói, desvendando o mito de um talento quase demiúrgico, mas que pode camuflar fúria antropofágica. Dioniso ou Hades, Eros ou Thanatos? Essa é a viagem que fará o leitor desse livro, envolvido pela mágica atmosfera do Rio de Janeiro da época.
Crônica de um Cozinheiro Assinalado -
Francisco de Mello Franco
Salamandra
1994
172 páginas
5h 44m
ISBN-10: 8528100936
Português Brasileiro
Edições (1)
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