O ponto de partida do presente estudo foi uma insatisfação intelectual perante a explicação predominante sobre o Levante de 1932, que o atribui, essencialmente, quando não inteiramente, à vontade de “reconstitucionalizar” o Brasil. Consagrada nos livros didáticos, nas teses acadêmicas, no vocabulário dos políticos e dos jornalistas, esta fórmula adquiriu, principalmente em São Paulo, mas também alhures, a densidade de uma verdade do senso comum, de um fato histórico estabelecido. Junto com a bandeira de um interventor “paulista e civil”, a ideia, desenvolvida pelos próprios paulistas que participaram do levante, de que a motivação era a constitucionalização do país triunfou. Um breve exame cronológico mostra, porém, a insuficiência destas duas explicações. O autor propõe nas páginas deste livro uma revisão crítica das possíveis motivações do levante de julho de 1932. O livro analisa a historiografia do movimento, nela constatando grande quantidade de erros cronológicos que invertiam os nexos históricos entre causas e consequências, de modo a confortar a tese de que a Revolução de 1932 foi constitucionalista. Essa inversão da sequência dos fatos vem de longe: ela remonta a uma campanha iniciada logo após a derrota militar de São Paulo e reverbera até o presente. Tentaremos mostrar as inconsistências dessa e de outras explicações tradicionais para depois formular algumas hipóteses sobre a gênese e a dinâmica do levante paulista de julho de 1932. Esta segunda edição de "1932 - A história invertida" foi revisada e ampliada pelo autor, que trouxe para a publicação novos detalhes de sua investigação histórica.

