Estela -

    Camille Flammarion

    FEB
    2022
    316 páginas
    10h 32m
    ISBN-10: B0B1JGT1DB
    Português Brasileiro

    O notável autor Camille Flammarion, astrônomo reconhecido por suas contribuições na difusão do pensamento científico, apresenta ao leitor uma história de amor ascensional, onde o propósito elevado, os sentimentos puros e a perfeição dos ideais unem dois jovens devotados ao entendimento dos mistérios celestiais, neste romance de sensibilidade ímpar. Em envolvente narrativa, Rafael e Estela, heróis desta doce aventura, apaixonados pela Astronomia, entrelaçados pelo espírito e pelo coração, pela Ciência e pela verdade, nos mostram que, quanto mais vastas e elevadas as esferas de contemplações intelectuais, mais ampla é a capacidade de amar – um amor transcendente, que ressignifica a vida, vitorioso da morte, perpetuado nas existências sucessivas, continuando a brilhar na imortalidade do ser e na infinitude do Universo, em luzes inextinguíveis. Sustentada em princípios científicos, a obra descortina a imensidão sideral e nos oferece a concepção mais sublime e elevada da real dimensão de Deus, que se revela nas forças invisíveis que governam os astros, nas radiações que cruzam o Espaço e em tudo aquilo que não se vê. Cantando o céu como o poeta celebra o amor, Flammarion traz a Ciência e a Religião, o intelecto e o sentimento, o cérebro e o coração como expressões de uma mesma força de equivalente grandeza e igual reverência: à medida que compreendemos os esplendores da Criação, o próprio Infinito comprova Deus.

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    Carla Parreira15/11/2023Resenhou um livro
    2 (Razoável)

    Estela (Camille Flammarion). Melhores trechos: "...Se duas almas vibrarem em perfeita harmonia suas ondas mentais quando se aproximam se unem. Se há dissonância no encontro das vibrações, resulta a antipatia. Não sabemos por que, mas todos os raciocínios serão inúteis. Este homem me é antipático, aquela mulher me irrita os nervos. Não se deve procurar corrigir essa primeira impressão, pois nossas ondas não se harmonizarão... A ambição é uma escravidão e as próprias afeições são cadeias... Natureza é uma consoladora, a floresta um repouso, os ninhos gorjeiam. As giestas, os musgos, os fetos e as urzes formam tapetes imensos nas clareiras; sob os carvalhos, os ulmeiros, os freixos e as faias. Sob os pinheiros de ramos estendidos, onde o solo permanece estéril, existe um tapete em que é agradável estender-se e sonhar. Vós ouvis esse rouxinol: cantará até que a flor de lis esteja em desabroche. Vós respirais o perfume longínquo dos sabugueiros; dentro de alguns dias as acácias, que já se cobrem de rebentos, estarão plenas de flores; depois virão as tílias e as roseiras. Tudo é sempre bom, até a chuva, as tempestades e a neve do inverno. Essa queda d'água que ouvis não se detém quase nunca. No bosque a fonte murmura, as florinhas parecem sonhar junto das grandes árvores, e por cima dessa decoração grandiosa se estende a imensidão dos céus... O silêncio do céu é mais eloqüente do que todas as vozes humanas. Sentir-me-ia um sacrílego se o comparasse aos discursos dos mais brilhantes advogados, às orações do mais fogoso tribuno. Prefiro a toutinegra. Oh! Esses oradores que defendem, a frio, o falso e o verdadeiro, cujas eloqüentes palavras não passam de burlas e que tantas vezes se vendem àqueles que os pagam! Comovem a Humanidade com palavras e fazem subir o lodo para turvar a água. Todos esses belos faladores que exploram a popularidade causam-me na verdade um santo horror... E tudo isso gira, vagueia, e se precipita no mistério, no desconhecido, e com que velocidade! Com que vertigem! Cem, duzentos, trezentos mil metros por segundo! É isso loucura? É sabedoria? Aonde vão todos esses sóis, todos esses mundos? Onde está a meta? Onde está o fim? Onde está o começo? E aonde vamos nós mesmos com o nosso Sol? Para onde, pois, tudo o que existe na Criação inteira, astros, sóis, planetas, meses, dias, estações, primaveras, perfumes, ninhos dos arvoredos, crianças de berço, velhos com um pé na tumba, para onde, pois, corre tudo isso com tanta velocidade? Abismo! Insondável... Algum dia viste Marte ao telescópio? Já viste, com os teus próprios olhos, esses continentes, esses mares, essas neves, esses lagos, esses canais extraordinários? Sabes que vivem no Espaço mundos semelhantes ao que habitamos e para lá devemos ir? Viste, com os teus próprios olhos, o anel de Saturno? e as nuvens de Júpiter, e a grande mancha vermelha, e a nebulosa de Andrômeda, e as estrelas coloridas - pedras preciosas do céu, diamantes brancos e amarelos, topázios, esmeraldas, rubis e safiras? Alguma vez já remigiaste em plena Via-Láctea? Compreendeste o Infinito, compreendeste a Eternidade?... O amor torna as mulheres mais animosas, mais ousadas, mais empreendedoras e torna, ao contrário, os homens mais tímidos, mais desajeitados. Esse efeito contrário de um mesmo sentimento sobre cada sexo pode parecer estranho, mas é muito fácil de observar, pois toca um tanto a todos, e os nossos dois amorosos não faziam nisso exceção à regra geral. E, assim, também o amor torna a mulher mais alegre e o homem mais sério... Supunha que as mulheres não gostam da solidão, do silêncio, da vida laboriosa em si, e que mulher alguma poderia sentir-se satisfeita na sua solidão... França, a Espanha ou a Índia são iguais, para os enamorados... Ele nunca passava perto dela sem lhe fazer uma terna carícia, e jamais saía, mesmo por uma hora, sem abraçá-la; nunca adormecia, nem despertava, sem que o seu último pensamento da noite, e assim o primeiro pensamento de cada novo dia, não fosse exclusivamente para ela. Tal existência era séria, e se tornava deliciosa, encantada. O amor é verdadeiramente uma luz celestial..."

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