Este livro foi uma grata surpresa.
O autor tem uma escrita envolvente e gostosa, conseguiu fazer com que eu me infiltrasse nas tramas de algodão, ops kkk, na verdade pelas paginas deste livro e não parasse até o desfecho desta história.
Quatro crianças são deixadas em dois cestos no portão da casa onde moravam as freiras de Carioba. O padre, sem alternativas, apresenta as crianças para toda a comunidade, contando o ocorrido e pergunta quem poderia apadrinhar e criar as crianças.
A ilustre família Donner, proprietários da tecelagem e de toda comunidade de Carioba, se oferece para ficar com duas das crianças, Diogo e Carmela.
O Pastor da igreja Presbiteriana fica com Giuseppe, e Fortunata permanece com as freiras.
E é através deles, Diogo, Carmela, Beppe e Nata que nos é contada a história.
Criados em ambientes completamente diferentes, eles pensam e agem de maneira muito distintas. Todos se sentem gratos por terem sidos criados nestes lares, mas o sentimento de rejeição acaba sendo mais forte para alguns deles, mesmo que inconsciente.
Ninguém poderia imaginar que quando nascesse Olga, filha do ilustre Hans Donner, muitas coisas mudariam ;(.
Desigualdade social, racismo, preconceito e abuso de poder são temas abordados neste romance. O amor também esta presente na história de muitas formas. Assim como o sofrimento de um dos personagens, que o autor descreve brilhantemente, chega a doer em nós. Senti na pele o frio e o desalento pelo ocorrido.
Tendo como pano de fundo a guerra de 39, sentimos a insegurança e o medo que este período trouxe para todas os personagens.
Curiosa que sou procurei pelo nome Carioba......
A Fábrica de Tecidos Carioba foi uma indústria têxtil sediada na cidade paulista de Americana. Fundada em 1875 pelo imigrante confederado William Pultney Ralston associado aos irmãos fazendeiros Antonio e Augusto de Souza Queiroz. Em 1901 a fábrica é comprada pelo alemão Franz Muller, em associação com seu irmão Hermann Theodor, e com o capitalista inglês Rawlinson, e passa a ter como razão social Rawlinson Muller & Cia. A intenção inicial do Comendador Müller e de seus associados, era de recolocar a fábrica em funcionamento para em seguida vendê-la; mas especialmente o Comendador Müller ficou muito encantado com a beleza natural do lugar, situado na confluência do Rio Piracicaba com o Ribeirão Quilombo. O Comendador constrói casas para seus filhos, e lá se instala com toda sua família em 1902. Foram meses de árduo trabalho até a recuperação da fábrica. Além disso também ampliaram a Vila Operária dotando-a de toda infraestrutura necessária aos operários.
Gostei muito desta leitura :)