**Sem spoilers**
Fazia muito tempo que eu não sentia vontade de ler um romance policial. O Fazedor de Anjos me chamou a atenção pelo nome e pela posição da primeira vítima, mas o que me fisgou mesmo foi a motivação dos crimes e toda a crítica construída em torno dela.
O desenvolvimento da história tem um ritmo bem agradável. Achei as doses de mistério e ação bem acertadas, e a narrativa fica eletrizante muito antes do final, o que torna a leitura do tipo que a gente não quer largar.
Josias é um personagem peculiar, mas bem cativante. Eu gosto bastante de ver protagonistas errados, que fogem da visão de herói bom-moço todo engomadinho. Embora alguns de seus comportamentos sejam bem exagerados, isso funciona muito bem dentro da proposta do livro. Se o autor tiver ideias para contar outras aventuras dele anteriores ao caso do Fazedor de Anjos, eu adoraria ler. (só espero que ele tenha aprendido uma lição sobre capacitismo)
Apesar das inconsistências com relação à eficiência e infraestrutura da polícia típicos de histórias policiais, especialmente com relação à perícia, eu gostei bastante de ler um romance policial que mostra a realidade brasileira, com Polícia Civil e Polícia Militar, seus respectivos cargos, alguns perfis típicos de cada uma, alguns sinais claros de posso até fazer isso, mas estamos no Brasil e isso vai demorar e outros detalhes desse tipo.
Não conheço outros livros do autor, mas recomendo bastante O Fazedor de Anjos para quem gosta de romances policiais sem muitos escrúpulos. Há descrições bem gráficas de violência e de sexo, presença LBGBT+ em peso e muitas críticas sociais, então, se você for um Aníbal da vida (rs), tem que ir com a mente aberta. Quem sabe até aprende alguma coisa.
**COMENTÁRIOS COM SPOILERS:**
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- GRAZADEUS a Elza ficou sã e salva no final. Se ela morresse, eu ia ter que marcar um Zoom com o autor e reclamar por duas horas.
- Só lamento que o tonto do Aníbal morreu no final. Eu queria, sinceramente, que ele vivesse para ser confrontado com própria hipocrisia e com a falsidade do padre.