Não há - para mim - dúvida alguma de que o escritor Daniel Galera merece ser chamado como tal: Escritor. É o primeiro livro que leio deste autor, e vou em busca dos demais. A obra , em síntese, literalmente transporta o leitor ao Estado de Santa Catarina. Galera detém total domínio da técnica narrativa eleita (realismo ao extremo), e cativa-nos, de saída, com esse louvor de descrição minunciosa (geográfica e humana.) Daí o painel apresentado ser tão rico e primoroso e o cumprimento aos ensejos da Literatura: dialogar com o leitor, convocá-lo para refletir e dar nome aos bois desgarrados. A trama, inusitada, reflete igualmente o talento de Galera. É um escritor influenciado por um realismo que chamo de benigno; um estilo bacana, (quando manuseado com maestria), na mesma esteira de DeLillo e Thomas Pynchon. Não há qualquer prejuízo, em minha opinião, a torrente de informações que desponta na obra, e arrematando, interessante notar o olhar atento do escritor, que não se faz de rogado, e finca posição no que lhe parece errado ou ocioso, como as (pertinentes) críticas às "autoridades", aos chefões de nossa política raquítica, homicida e desmazelada. Essa gente, não duvidem, não difere muito dos mais "refinados" carteis do narcotráfico. Ambos, à sua maneira, metralham inúmeras vidas. Não dei 5 estrelas pois acho que ele poderia deixar um pouco mais nas entrelinhas alguns trechos que permeiam o romance (que não revelo para evitar o spoiler.) No entanto, é questão pessoal mesmo, pois gostei demais do livro.








