Laboratório Palestina - Como Israel exporta tecnologia de ocupação para o mundo

    Antony Loewenstein

    Elefante
    2024
    356 páginas
    11h 52m
    ISBN-13: 9786560080577
    Português Brasileiro

    Por trás do fracasso israelense de 7 de outubro, está uma combinação de arrogância hi-tech, calcada na crença de que o aparato de vigilância é impenetrável, com uma cegueira fatal das agências de inteligência diante dos claros sinais de que o Hamas preparava um ataque em grande escala. O fato de Tel Aviv ter sitiado Gaza com um conjunto de cercas, drones e aparelhos de escuta sempre se amparou na ideia delirante de que, cedo ou tarde, os palestinos se conformariam com seu próprio aprisionamento.[.] Nada disso impede Israel de testar novos armamentos durante sua campanha de terra-arrasada contra Gaza depois do 7 de outubro. As ferramentas de guerra foram orgulhosamente exibidas nas redes sociais, tanto para o público doméstico quanto internacional - e, claro, a potenciais compradores globais. Israel usou armas guiadas por inteligência artificial para atingir alvos não militares com uma ferocidade nunca antes vista. É uma "fábrica de assassinato em massa", como definiu um oficial da inteligência israelense. Esse é o modus operandi do Laboratório Palestina. [.] A Elbit, principal empresa de defesa do país, já anunciou um "considerável aumento da demanda". Feiras globais de armamentos em Singapura e Paris estiveram abarrotadas de israelenses promovendo armas, drones assassinos e aparatos tecnológicos de vigilância já "testados em batalha" na Faixa de Gaza. Sem dúvida, os instrumentos de morte utilizados tão impiedosamente em Gaza logo figurarão em outras zonas de conflito.

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    Marcelo Magosso15/02/2025Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Uma obra obrigatória para qualquer pessoa comprometida com a defesa dos direitos humanos

    Laboratório Palestina foi uma leitura surpreendente em diversos aspectos. O primeiro, e mais significativo, motivo reside no fato de que o autor, Antony Loewenstein é oriundo de uma família de tradição sionista. O autor se declara como um judeu ateu. Outro ponto importante é a maneira como o autor explica, com riqueza de detalhes e referências o envolvimento do Estado de Israel com crimes contra a humanidade para além do conflito com a Palestina. Aliás, o uso da palavra conflito não é o mais assertivo para tratar deste fato histórico, já que pode insinuar erroneamente que se trata de uma disputa entres povos em igual condição de forças e com interesses opostos. Na verdade, o nome do que ocorre é GENOCÍDIO - uma limpeza étnica promovida por Israel ao longo de décadas, com a conivência da comunidade internacional. O mote principal do livro, é demonstrar como o governo sionista israelense, usa a população Palestina como laboratório de teste de armas e tecnologia de vigilância, com o intuito de exportar tecnologia para diversos países do mundo. Normalmente, é comum associarmos as relações internacionais de Israel primordialmente aos EUA, seu aliado de primeira hora, no entanto o estado sionista israelense tem um portfólio de consumidores de armamento e tecnologia que vai desde nações consideradas democratas na Europa, até diversos países sob regimes ditatoriais e que, tal qual Israel, promove perseguição a grupos étnicos. Chega a ser um contrassenso um país judeu fazer uso de práticas instituídas como pipoca de estado, que em muito se assemelham ao que seu povo foi submetido durante o holocausto no regime nazista na Segunda Guerra Mundial. Enfim, é uma obra essencial para o entendimento de uma situação que, mesmo sendo aparentemente local, tem desdobramentos que se refletem na política de todo mundo. Recomendo fortemente a leitura deste livro, para que através da conscientização possamos evitar a perpetuação de situações trágicas como a que é submetido o povo palestino e, também, evitar que coisas similares continuem se repetindo ao redor do mundo, pois como diz o autor "o futuro ainda não foi escrito".

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