Box reúne os três volumes de O capital, em tradução pioneira do alemão pelo economista Reginaldo Sant’Anna, e livreto com material de suporte desenvolvido pela socióloga e economista política Sabrina Fernandes. O capital, de Karl Marx, é a obra mais importante das ciências humanas. Em texto de 1998, ao celebrar a edição da Civilização Brasileira – que, à época de seu lançamento, nos anos 1960, era a única tradução brasileira publicada, feito que permaneceu incólume por mais de 40 anos –, o cientista político e intelectual marxista Carlos Nelson Coutinho reforça quão necessário é ter essa obra disponível em sua integralidade. Ainda hoje, a brilhante análise dialética presente neste O capital, que contou com a preparação de Friedrich Engels no segundo e terceiros volumes para a publicação póstuma, não perde o posto entre as teorias econômicas que mais despertam o interesse em todo o mundo. No Livro 1: O processo de produção do capital, Marx apresenta conceitos-chave – como o surgimento do capital, valor de uso e valor de troca, fetichismo da mercadoria e mais-valia –, a formação da sociedade de classes e a relação antagônica entre a classe trabalhadora e burguesa, além das dinâmicas de exploração do trabalho. No Livro 2: O processo de circulação do capital, o autor expõe o modo integrado de circulação da mercadoria, apresenta conceitos-chave – como capital-dinheiro, capital-mercadoria, capital produtivo e capital industrial – e delimita as situações de crise no sistema de capital, não como exceção, mas como um destino irrefreável. No Livro 3: O processo global da produção capitalista, Marx discute a taxa de lucro e seu impacto em diferentes países – o que implica uma crítica do capital diante das relações comerciais entre metrópoles e colônias –, além de reafirmar a situação-limite da acumulação de capital e sua vocação ao colapso. O texto de orelha é de Carlos Nelson Coutinho e o design é assinado pelo premiado artista gráfico Gustavo Piqueira. O livreto que acompanha o box conta com uma apresentação da socióloga e economista política Sabrina Fernandes sobre a importância de cada volume, além de traduções inéditas feitas por ela da biografia de Marx escrita por Friedrich Engels e da de Engels escrita por Vladimir Lenin. Também são publicadas reproduções históricas de folha de rosto das primeiras edições de O capital, cronologia e bibliografia de apoio. É com orgulho, portanto, que a Editora Civilização Brasileira reapresenta os três livros que compõem O capital – a magnum opus de Karl Marx –, traduzidos diretamente do original alemão, em um gesto pioneiro no Brasil, pelo economista baiano Reginaldo Sant’Anna. Reafirma-se, assim, o compromisso histórico da Civilização Brasileira com a divulgação das ideias de Karl Marx, prezando pela praticidade de consulta e pesquisa para incontáveis leitores e leitoras, que, como as gerações passadas, seguem tendo esta obra como referência primordial.
O capital - Livro III (Box O capital #3) - Crítica da economia política: O processo global da produção capitalista
Karl Marx
O Capital: crítica da economia política. Livro III: o processo global da produção capitalista, de Karl Marx
Parte I: O verdadeiro obstáculo à produção capitalista é o próprio capital, isto é, o fato de que o capital e sua autovalorização aparecem como ponto de partida e ponto de chegada, como mola propulsora e escopo da produção; o fato de que a produção é produção apenas para o capital, em vez de, ao contrário, os meios de produção serem simples meios para um desenvolvimento cada vez mais amplo do processo vital, em benefício da sociedade dos produtores. Os limites nos quais unicamente se podem mover a conservação e a valorização do valor de capital, as quais se baseiam na expropriação e no empobrecimento da grande massa dos produtores, entram assim constantemente em contradição com os métodos de produção que o capital tem de empregar para seu objetivo e que apontam para um aumento ilimitado da produção, para a produção como fim em si mesmo, para um desenvolvimento incondicional das forças produtivas sociais do trabalho. O meio o desenvolvimento incondicional das forças produtivas sociais entra em conflito constante com o objetivo limitado, que é a valorização do capital existente. Assim, se o modo de produção capitalista é um meio histórico para desenvolver a força produtiva material e criar o mercado mundial que lhe corresponde, ele é, ao mesmo tempo, a constante contradição entre essa sua missão histórica e as relações sociais de produção correspondentes a tal modo de produção. * Mais do blog Lista de Livros em: https://listadelivros-doney.blogspot.com/2021/07/o-capital-critica-da-economia-politica_3.html XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Parte II: Se como o leitor terá descoberto, para seu desapontamento a análise das conexões internas e efetivas do processo de produção capitalista é uma questão muito intricada e um trabalho extremamente minucioso e se compete à ciência reduzir o movimento visível, meramente aparente, ao movimento real interno, é evidente que na mente dos agentes da produção e da circulação capitalistas terão necessariamente de se formar ideias sobre as leis da produção que divirjam inteiramente dessas leis e que sejam apenas a expressão consciente do movimento aparente. As ideias de um comerciante, de um especulador da Bolsa ou de um banqueiro são necessariamente falsas por completo. As dos fabricantes foram falseadas pelos atos de circulação, aos quais está submetido seu capital, e pelo nivelamento da taxa geral de lucro. Na mente desses indivíduos, a concorrência também assume necessariamente um papel equivocado por completo. Se os limites do valor e do mais-valor estão dados, é fácil vislumbrar como a concorrência dos capitais transforma valores em preços de produção e, mais ainda, em preços comerciais, e o mais-valor em lucro médio. Sem esses limites, porém, é absolutamente impossível vislumbrar por que a concorrência reduz a taxa geral de lucro a esse limite, em vez de àquele outro a 15%, em vez de a 1.500%. No máximo, ela pode reduzi-la a certo nível. Mas nela não há absolutamente nenhum elemento que permita determinar esse nível. * Mais em: https://listadelivros-doney.blogspot.com/2021/07/o-capital-critica-da-economia-politica_47.html XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Parte III: É no capital portador de juros que aparece consumada a ideia do fetiche do capital, a ideia que atribui ao produto acumulado do trabalho e, além disso, fixado como dinheiro a capacidade de criar mais-valor em progressão geométrica por meio de uma misteriosa qualidade inata, como um puro autômato, de tal modo que esse produto acumulado do trabalho, como afirma o Economist, tenha descontado desde muito tempo toda a riqueza do mundo do presente e do futuro como algo que lhe pertence e lhe corresponde por direito. O produto do trabalho pretérito, o próprio trabalho pretérito, está aqui, em si mesmo, prenhe de um fragmento de mais-trabalho vivo, presente ou futuro. Sabe-se, em contrapartida, que na realidade a conservação e, portanto, também a reprodução do valor dos produtos do trabalho pretérito são apenas resultado de seu contato com o trabalho vivo; além disso, que o comando que os produtos do trabalho pretérito exercem sobre o mais-trabalho vivo só dura enquanto subsiste a relação do capital, quer dizer, a relação social determinada em que o trabalho pretérito se confronta de modo independente e onipotente com o trabalho vivo. * Mais em: https://listadelivros-doney.blogspot.com/2021/07/o-capital-critica-da-economia-politica_34.html XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Parte IV: Toda a ciência seria supérflua se a forma de manifestação e a essência das coisas coincidissem imediatamente. * As mediações das formas irracionais em que se apresentam e se resumem determinadas condições econômicas não importam nada aos agentes práticos dessas condições econômicas em sua atividade cotidiana, e estes, por estarem acostumados a se mover no interior delas, não ficam nem um pouco escandalizados com isso. Uma absoluta contradição não tem nada de misterioso para eles. Dentro das formas de manifestação que, abstraídas de seu contexto e tomadas isoladamente, são absurdas, eles se sentem tão à vontade quanto um peixe na água. Aqui é válido o que diz Hegel com referência a certas fórmulas matemáticas, a saber, que aquilo que o senso comum considera irracional é racional, e o que ele considera racional é a própria irracionalidade. * A indulgente boa vontade em descobrir no mundo burguês o melhor dos mundos possíveis substitui, na economia vulgar, todas as exigências do amor à verdade e do impulso à pesquisa científica. * Mais do blog Lista de Livros em:
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