Para esta resenha, nada melhor do que mostrar alguns trechos do livro. Por exemplo, consta na página 17:
"A visão estreita que fundamenta os nossos economistas afinados com o FMI, vê na possibilidade de aumento de renda, e consequentemente, do poder aquisitivo do conjunto da nossa população, o fantasma da inflação."
Aqui, tirando a cansativa crítica às políticas macroeconômicas recomendadas pelo FMI, noto que há algumas impropriedades na escrita, como por exemplo dizer que a "visão (...) vê" — uma afirmação redundante e óbvia. Também critico o uso da expressão "o conjunto da nossa população", que poderia ter sido substituída simplesmente por "população", palavra que, afinal, já denota por si só um conjunto de pessoas. Além disso, aponto ainda o uso do aborrecido chavão "fantasma da inflação", que a boa técnica de redação manda evitar.
Indo adiante, ainda na mesma página consta o que segue:
"(...) Essa diminuição de consumo implicaria na abdicação de vários fatores de satisfação material, o que corroe a lógica capitalista totalmente voltada para o consumo e desperdício, obrigando o homem a buscar outras formas de satisfação fora do plano material."
Em se tratando de um livro técnico, era de se esperar que seu conteúdo fosse baseado em premissas lógicas e bem fundamentadas, por isso não acho admissível a generalização de que a lógica do capitalismo é basicamente "consumir" e "desperdiçar" — algo evidentemente simplista demais.
Por essas e por outras, fui forçado a abandonar o livro, cujo conteúdo técnico até parece bom, mas não suporto essa doutrinação esquerdopática.