A ALQUIMIA, nos explica Ana Goldfarb, efetua uma ritualização mística em três tempos: o da 'negra morte' da matéria, o de seu 'alvo renascer' e o de sua 'rubra transmutação' em ouro. Redimida pela purificação a matéria está rediviva na Grande Obra Alquímica. Mas a história que a autora no relata em “Da Alquimia a Química” é a de uma morte sem redenção. Que teria sucedido, indaga Ana Goldfarb ao cabo de seu belo livro, se o mecanicismo tivesse sido vitorioso, a partir do século XVII? Teria sobrevivido com transformações? Ou teria desaparecido inelutavelmente? Ela que, segundo a autora, não pode, de modo algum, ser relacionada com os momentos de irracionalismo e obscurantismo e sim com os momentos de valorização extrema do conhecimento da natureza. Não há resposta para tais questões, pois o mecanicismo venceu, a química nasceu e a Alquimia morreu. Donde o propósito da autora: 'reconhecer a formação do ideário alquímico dentro da visão do cosmo que lhe serviu de base e sustentáculo para, a seguir, entender, com maior clareza por que o esfacelamento desde modelo de mundo acarretaria o desaparecimento da Alquimia como uma das formas de conhecimento da natureza (...) entender quais as razões históricas mais profundas que tornam inadequada a visão da Química como um aprofundamento moderno da Alquimia'. Em outras palavras, estamos diante da história de uma ruptura e não de um progresso. Marilena Chauí.



