Resenha de Love History Caused by Willful Negligence
Quando comecei a ler Love History Caused by Willful Negligence, me interessei logo de cara pela proposta de vingança do Uke e pela personalidade intrigante do Seme. A arte também é linda — os traços são bem feitos, expressivos e deixam tudo mais envolvente visualmente. Mas, infelizmente, a leitura acabou sendo bem frustrante pra mim.
O que mais me decepcionou foi, sem dúvida, a personalidade do Uke. Ele não tem sal nenhum. Parece um estereótipo batido de Uke de 2019: aparência fofa, zero presença e nenhuma profundidade. Ele simplesmente aceita tudo calado, é horrível em mentir e, sinceramente, parece burro. Não age como alguém de 24 anos — se ele não tivesse dito a idade, eu juraria que tinha uns 14 a 17, no máximo. É bobo, ingênuo demais, e isso mata qualquer tentativa de tensão ou evolução no enredo.
Agora o Seme… ele tem um distúrbio antisocial, e isso já é deixado bem claro. Ele é esperto, bonito, atua bem e tem aquele ar frio que, confesso, até me chama atenção. Já esperava que fosse tóxico, e vou admitir que já vi semes bem piores que ele, então não me surpreendeu tanto assim. Ele não sente empatia e outras emoções básicas, então reclamar das atitudes dele nem faz muito sentido dentro da lógica da história.
Os personagens que eu realmente gostei foram os dois senhores que gerenciam a carreira do Seme. Eles são os únicos que parecem pessoas normais ali e, sendo bem sincera, acho que o yaoi seria até mais interessante se fosse focado neles.
No fim das contas, o maior problema da história pra mim é o Uke. Se ele tivesse uma personalidade mais forte, com mais camadas e atitude, Love History Caused by Willful Negligence poderia até estar entre os meus yaois favoritos. Tinha potencial, mas escorregou feio no desenvolvimento do protagonista.