Memorial do inferno -

    João Carlos Rodrigues

    Escrituras
    2000
    191 páginas
    6h 22m
    ISBN-11: _8586303666
    Português Brasileiro

    Qual é o verdadeiro inferno? O bíblico, ao qual o protagonista está irremediavelmente condenado por seu crime? Ou o inferno terreno, que as pessoas constróem em torno de si? O romance não traz respostas, mas contribui por meio da dúvida para envolver o leitor em uma história fascinante.

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    Victor Manent  picture
    Victor Manent 23/07/2021Resenhou um livro
    4.5 (Muito bom)

    Um romance obscuro; uma história trágica e morbidamente cativante

    Não muito conhecido, sua história é de profunda obscuridade romântica. O livro é inteiramente narrado por um homem já falecido que se auto denomina como ``miserável``. O narrador fala diretamente do inferno, contando a história de sua vida e os acontecimentos que o conduziram a tal lugar. Miserável descreve o inferno, ou: ´´o seu inferno``, como a ausência de qualquer cor ou forma, sendo este bem diferente do inferno citado na bíblia. No inferno descrito por miserável aquele que impera é o tédio. A história se inicia em uma fazenda situada entre seis colinas, na qual o narrador nasceu, foi criado e viveu durante toda sua vida. Os pais de miserável, (que alega assim denominar-se em função do horrendo crime que cometera, com o intuito de não envergonhar seus parentes ainda vivos), obtiveram o direito de morar de favor ali e construíram no local uma casa com suas próprias mãos. Após a morte do proprietário, um jovem homem chamado Almeida herdou a fazenda, e logo deu posse a Miserável da casa que era de seus pais. Almeida teve dois filhos de nomes: Júlio e Gabriel, com uma mulher chamada Fernanda. Com a morte dos dois, Almeida e Fernanda, cuja causa fora envenenamento, os irmãos passaram a viver quase que completamente isolados na fazenda. Enquanto Júlio chefiava o local por completo, Gabriel dedicava seu tempo a constantes períodos de leituras extravagantes. Miserável por sua vez era apaixonado por Gabriel, todavia ele iria guardar tal segredo até o fim de seus dias. Certo dia, enquanto estava no Rio de Janeiro, Júlio resolvera que o irmão precisava de uma companhia feminina em razão do mesmo nunca ter tido contatos íntimos com o sexo oposto, o que, para ele fazia mau ao caráter de um homem. Essa decisão o levou a contratar uma prostituta chamada Anice que viria a abalar todo o modo de vida dos dois irmãos e despertar em Miserável seus desejos mais obscuros. (Nota: isso não é esclarecido no livro, mas em dado momento Gabriel faz comparação entre o corpo de Anice e Fernanda dando a sútil ideia de um possível incesto entre os dois. Em outro momento, é afirmado que ambos haviam sido flagrados nus). No decorrer dessa atribulada história, tomado por ciúmes, Miserável que havia combinado com Anice o assassinato de Júlio, acaba por matá-la no lugar deste, que revela a Miserável que também pretendia matá-la. Gabriel apenas concordava com os atos do irmão, sua única condição era não ser parte ativa de tais situações, estando ele também ciente da morte de seus pais cujo assassinato fora cometido também por Júlio, que os envenenou com estricnina visando tomar posse da fazenda. Ele justificou isso, na cena de morte de Anice, depois de MIserável insistir aos berros alegando que seus pais estavam loucos e que a permanência dos dois na casa tornara a situação instável, assassinato este que foi creditado a Fernanda com uma espécie de homicídio seguido de suicídio. No fim, com a morte de Anice o convívio na fazenda volta ao seu tenebroso ´´normal´´, com ambos os irmãos mergulhados novamente na solidão que sempre lhes coube. Miserável foi posteriormente morto por um cidadão cuja reputação era marcada por histórias sobre sua esposa. Este cidadão, que se portava de tal maneira que até um Neandertal era capaz de ter mais educação do que ele, chamava-se Franklin. Ele matou Miserável a golpes de faca, quando este começa a falar mal de sua esposa. Miserável morre no chão da calçada, ao lado de fora do bar no qual fora esfaqueado. Em seu último suspiro, delirando, pensando ser Gabriel aquele que estava de pé em sua frente, tenta dizer que o estaria esperando. Enquanto no inferno, Miserável aguarda o dia em que se reencontrará com os irmãos, tendo plena certeza de que ambos terão o mesmo destino que ele, em virtude dos atos destes, para que possa enfim, consumar no inferno, os desejos que não pôde consumar em vida. "Tudo passa, mas as palavras permanecem..." -V.M

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