Little Mushroom - Xiao Mogu | Pequeno Cogumelo

    Yi Shi Si Zhou

    -
    2023
    629 páginas
    20h 58m
    ISBN-10: 9869014720
    Português Brasileiro

    "Até o dia em que a humanidade cair." No ano de 2020, os pólos magnéticos da Terra desapareceram e a humanidade foi quase exterminada pela radiação cósmica. No espaço de cem anos, as criaturas vivas começaram a sofrer mutações e a devorar-se umas às outras enquanto os humanos restantes, em número de dezenas de milhares, lutavam amargamente em suas bases feitas pelo homem. No Abismo, lar dos xenógenos mutantes, vivia um pequeno cogumelo senciente. Por ter sido nutrido pelo sangue e carne do falecido humano An Ze, não apenas assumiu uma forma humana de aparência semelhante, mas também um nome semelhante: An Zhe. An Zhe está determinado a ir à base humana em busca de seu esporo, que foi colhido por humanos. Uma vez lá, porém, ele enfrenta o risco onipresente de ser descoberto e de morte certa enquanto tenta manter sua natureza não-humana escondida dos Juízes, cuja responsabilidade é inspecionar e eliminar xenógenos como ele. E de todos os Juízes, o Coronel Lu Feng é o mais perspicaz e impiedoso – assim que determinar que alguém é xenógeno, ele executará essa pessoa imediatamente. Mas a mutação de An Zhe passa despercebida pelos olhos de Lu Feng, e assim uma história de humanos e xenogenia se desenrola...

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    Lilies08/01/2025Resenhou um livro
    3.5 (Bom)

    "A gentileza é a fraqueza mais óbvia dos seres humanos"

    Quando decidi ler Little Mushroom, estava em uma fase de abstinência causada pela série The Last of Us. Ambas as histórias compartilham uma premissa semelhante: um mundo onde fungos redefinem a sobrevivência da humanidade. Mas, enquanto The Last of Us aborda a relação entre dois personagens em meio ao caos, Little Mushroom questiona a moralidade da sobrevivência, explorando até onde estamos dispostos a ir para continuar vivos e se isso realmente vale a pena. A trama se passa em um mundo pós-apocalíptico devastado, onde a humanidade tenta se reerguer através de métodos controversos e, muitas vezes, desumanos. Nesse contexto, acompanhamos a jornada de um protagonista incomum: um cogumelo que assume forma humana, tentando entender não apenas o que significa ser humano, mas também os dilemas éticos e emocionais que definem nossa existência. A escrita transmite brilhantemente a inocência do protagonista, sua visão pura e ingênua frente aos comportamentos humanos. Assim como The Last of Us, a falta de esperança é um elemento central em Little Mushroom. A narrativa captura essa sensação de forma impressionante, desde o início até o desfecho. A humanidade é retratada como uma espécie à beira do colapso, cometendo atrocidades em nome da sobrevivência. A maneira como a autora explora os extremos que definem o certo e o errado é uma das maiores forças da obra, deixando o leitor com questões inquietantes e sem respostas definidas. Não há herois ou vilões claros, pois todos os momentos de bondade estão tingidos de desespero e os de desespero tingido por uma tentativa de bondade. A autora não apenas apresenta um mundo em ruínas, mas nos força a refletir se realmente vale a pena lutar por sua reconstrução e quais são os custos das decisões difíceis tomadas ao longo desse caminho. Ela nos leva a questionar se, ao tentar sobreviver, não corremos o risco de perder aquilo que ainda nos torna humanos – e o que isso realmente significa. A narrativa nos desafia a encontrar vestígios de humanidade em um mundo que parece ter perdido quase tudo. Visualmente, Little Mushroom seria uma obra fascinante de se adaptar. A ambientação apocalíptica é descrita de forma vívida e quase cinematográfica. Desde os cenários desolados até os contrastes entre os monstros e a vida vegetal decadente, cada detalhe da narrativa parece implorar por uma representação visual. O relacionamento romântico da história é outro elemento peculiar que merece destaque. Ele começa de forma desconcertante, quase incômoda, o que reflete o mundo sem esperanças no qual os personagens estão inseridos. A conexão entre eles evolui gradualmente, misturando estranheza e doçura, com momentos que desafiam o leitor a refletir sobre o que é aceitável em um mundo onde as regras da convivência humana foram quebradas. Não se trata de um romance convencional, mas de um vínculo que surge da necessidade, do entendimento e da resiliência compartilhada. Embora a obra seja curta, ela é incrivelmente bem trabalhada. A construção do mundo e os dilemas filosóficos apresentados são profundos e envolventes. No entanto, algumas áreas poderiam ser mais desenvolvidas, como o aprofundamento de certos personagens, há momentos em que a narrativa desacelera(aspecto individual de cada leitor) ou até o impacto de decisões cruciais. Ainda assim, o peso emocional e a atmosfera desoladora compensam essas lacunas. Quando terminei a novel, percebi que, inconscientemente, esperava um final trágico. Algo que deixasse tudo em suspenso, um final aberto que me fizesse querer arrancar cada página do livro e questionar a pessoa responsável por escrever algo tão indefinido, ou talvez um desfecho devastador, repleto de dor e sofrimento para algum dos lados— em suma, os melhores, na minha opinião. Mas foi aí que percebi que essa expectativa era apenas reflexo do meu amor por histórias com finais imprevisíveis. No entanto, a autora escolheu um caminho mais sutil e, de certa forma, melancólico. Ela não ignora o peso da desolação que permeia toda a história, mas também não permite que ele seja a única verdade. O sofrimento dos personagens é apresentado como um ponto de passagem, não como um destino imutável. É um encerramento que deixa espaço para reflexão e, ao mesmo tempo, oferece uma esperança sincera, uma fagulha de que talvez o recomeço seja possível. Minha avaliação de 3,5 estrelas reflete mais a minha dificuldade em analisar novels curtas do que qualquer falha na qualidade da obra. Essa dificuldade está ligada, em grande parte, à escrita, que, sendo originária do chinês, carrega nuances que muitas vezes se perdem na tradução. O sistema de ideogramas encapsula conceitos e sentimentos que nem sempre encontram correspondência direta em línguas ocidentais, fazendo com que a adaptação perca parte do impacto ao ser traduzida. A beleza e a sutileza das palavras podem não se traduzir de forma completa, e nuances culturais importantes podem ser perdidas no processo. Ainda assim, a narrativa envolvente e os dilemas profundos apresentados pela história merecem ser reconhecidos e apreciados por sua singularidade.

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