Seios e Óvulos -

    Mieko Kawakami

    Casa das Letras
    2023
    504 páginas
    16h 48m
    ISBN-13: 9789896617677
    Português

    Seios e Óvulos traça um retrato da feminilidade e maternidade contemporâneas no Japão, contando as viagens íntimas de mulheres que enfrentam os costumes opressivos e as suas próprias incertezas no percurso para encontrar a paz e um futuro a que possam chamar verdadeiramente seu. Seguimos a história de três mulheres: Natsu, de trinta anos, a sua irmã mais velha, Makiko, e a filha desta, Midoriko. Makiko viaja para Tóquio em busca de uma operação de preço acessível para aumentar os seios. É acompanhada por Midoriko, uma adolescente cada vez mais calada por se sentir incapaz de expressar as pressões vagas, mas esmagadoras, associadas ao crescimento. O seu silêncio revela-se um catalisador para que cada mulher enfrente os seus medos e frustrações. Num dia quente de verão, dez anos mais tarde, Natsu, numa viagem de regresso à sua cidade natal, debate-se com a sua própria identidade indeterminada, enquanto enfrenta ansiedades sobre envelhecer sozinha e sem filhos. Desafiando todos os preconceitos sobre narrativa e estilo de prosa, misturando humor irónico com uma profundidade emocional fascinante, Kawakami é hoje uma das mais importantes e mais lidas escritoras do Japão. Começou por se destacar na esfera cultural como música, depois como poeta e blogger de sucesso, sendo agora uma romancista premiada.

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    Eduarda 03/12/2021Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Um livro que toda mulher deveria ler

    Como eu queria que o Brasil tivesse publicado esse romance da Mieko Kawakami! Assim, mais pessoas poderiam conhecer não só as personagens, o enredo, como também algumas das dificuldades que as mulheres japonesas passam e que podem ser vislumbradas, de certa forma, com a nossa realidade. Recomendo fortemente o audiobook, pois o romance é recheado de descrições. Nós conhecemos as personagens principais: Natsuko, Makiko e Midoriko. A primeira, narradora, é a irmã mais nova de Makiko. Midoriko é a filha de Makiko. Elas vêm de uma família pobre, e vamos conhecendo um pouco mais sobre como cada uma tem que lutar para sobreviver. O romance é dividido em "dois livros", ou duas partes. A primeira parte, minha favorita, gira mais em torno das três. A segunda parte tem um enfoque maior na Natsuko e na batalha dela sobre se ela *SPOILER* quer ter um filho ou não, como ter, e etc. A partir de agora será minha opinião com spoilers*. Bom, esse livro me fez pensar em muita coisa mesmo, de aparência (como a branquitude é forçada em todos os povos), do Japão que muitos ignoram (com um machismo gritante), do lado das "hostess" que eu desconhecia, do acidente em Fukushima, de toda uma outra questão de maternidade que eu não havia pensado, sobre preconceito de mulheres com mulheres, de assédio, de sexualidade (que não foi bem trabalhada a meu ver), enfim. Se fosse para comparar "Breasts and Eggs" com algo, seria com a metáfora da cebola do Shrek. De qualquer forma, não é porque eu considerei uma das melhores leituras que eu tive em tempos que tudo fluiu bem. A segunda parte do romance é um tanto maçante em certos pontos. A narradora não é tão confiável, às vezes ela alucina do nada, é bem ???, amada, você está bem? Eu também fico entediada com a onda crescente de livros falando sobre escritores, já deu. E tem dois grandes problemas para mim na narrativa. 1º: A autora simplesmente esquece certas coisas. Tenho a impressão de que ela escreveu esse livro até a primeira parte. Parou. Daí escreveu a segunda. Não sabemos sobre o que virou o livro que a Natsuko escreveu, por exemplo. Vários detalhes são ignorados. As pessoas fazem as pazes bem rápido quando querem (tipo a Natsuko e a Makiko falando normalmente depois de Natsuko ter falado tanta porcaria para a Makiko). E se na primeira parte a Natsuko fala tanto da família, na segunda sinto que ela falou bem mais do cara traíra com quem ela teve um único relacionamento. E qual a necessidade de enfocar tanto aquela criatura? Enfim. 2º: Sexualidade mal trabalhada. Convenhamos, compreendo o espaço da autora. Se ela chegasse e falasse: "olha, a Natsuko é assexual", talvez ela tivesse um backlash no romance. Mas sim, a Natsuko é assexual, ela é a primeira protagonista assexual em um livro que não é romantizada, estereotipada, nem nada do tipo. Eu precisava disso, precisava de uma explicação, uma luz sobre o termo, precisava daquela representação, de ver aquilo chegando nas massas, olha, gente, isso é uma sexualidade, está tudo bem. Podia ser só buscando uma definição do termo assim, de indireta. Esse livrou encheu tanta linguiça com os delírios da Natsuko, podia ter usado esse tempo para algo assim. Mas enfim, fazer o quê. É o que temos para hoje. Enfim, mesmo assim é uma leitura necessária para nós mulheres.

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