Casse-Noisette (Histoires Merveilleuses #N° 6) -

    E.T.A. Hoffmann , Alexandre Dumas

    Le Soir
    2023
    299 páginas
    9h 58m
    ISBN-13: 9788411492164

    Basándose en la tradicional figura del cascanueces, un muñeco representativo de la Navidad en Alemania, el escritor germano E. T. A. Hoffmann escribió en 1816 el cuento Cascanueces y el rey ratón. Hoffmann compuso este relato infantil para los hijos de su amigo Hitzig, que aparecen en la historia con sus nombres auténticos. Así, siguiendo la estructura del cuento dentro del propio cuento, la joven Marie vive una serie de aventuras llenas de magia, fantasía, batallas y acción. En 1844, el escritor francés Alexandre Dumas, seducido por esta maravillosa historia, decidió hacer una versión un poco más amable, eliminando algunos de los detalles más oscuros del original alemán y dotándolo de unas sutiles pinceladas de humor. Fue en esta versión gala en la que se inspiró el compositor ruso Piotr llich Chaikovski para componer su famosísimo ballet El cascanueces. En esta exclusiva edición de este maravilloso clásico infantil se recogen tanto la versión de Alexandre Dumas, titulada Histoire d'un casse-noisette, como la versión original del cuento, escrita por Hoffmann unos años antes, titulada Nussknacker und Mausekönig.

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    Flávia21/11/2022Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    🎄 O LIXO DE UNS PODE SER O TESOURO DE OUTROS!

    “O Quebra-Nozes”, é uma edição ilustrada dos clássicos da Zahar, que inclui duas versões dessa história, sendo a original a que foi escrita por E.T.A. Hoffmann, e sua versão clássica, de Alexandre Dumas. De fato, essa é uma das histórias que mais contou com uma diversidade de revisões e adaptações, incluindo o renomado balé homônimo do russo Piotr Illitch Tchaikovsky. Ernest Theodor Amadeus Wilhelm Hoffmann, mais conhecido como E.T.A. Hoffmann, foi um escritor romântico, compositor, desenhista e jurista alemão, e é conhecido como um dos maiores nomes da literatura fantástica mundial, que influenciou nomes como Charles Dickens, Mary Shelley, Edgar Allan Poe, Robert Louis Stevenson, Herman Melville, Joseph Conrad e Fiódor Dostoiévski, apenas para citar alguns. Em sua versão original, “O Quebra-Nozes e o Rei dos Camundongos” de E.T.A. Hoffmann, foi publicado em 1816, e é um conto natalino que muito embora não seja considerado como contos de fadas por se tratar de uma narrativa inventada por apenas um autor e não de uma matriz oral, ainda assim, reúne elementos populares e comuns da sociedade daquele período, explorado através de um universo fantástico, que o faz se aproximar desse gênero textual. Nesse conto nos deparamos com duas histórias: uma principal, a que nos fala sobre como Marie quebrou o feitiço do Quebra-Nozes e se casou com ele, e a história que o padrinho Drosselmeier narra enquanto Marie está doente, sobre uma princesa chamada Pirlipat. Essas duas narrativas possuem um ponto de contato, que são o Quebra-Nozes e o padrinho Drosslmeier. Enquanto a história principal nos apresenta essa estrutura de contos de fadas, a história da princesa Pirlipat é considerada um anticonto de fadas, em virtude de ser mais perturbadora, macabra e provocativa. Nesse anticonto de fadas, o Rei e a Rainha são apresentados como dois tolos, e a sua filha, a princesa, é uma garota mimada, sendo essa família perseguida e amedrontada por ratos, que são os vilões da história que substituem as bruxas, as fadas e os ogros. Todo o horror e as ameaças que esses ratos fazem à família real são simplesmente ridículos, trazendo em sua gênese uma paródia da vida na corte da época. Outros elementos que endossam os motivos pelos quais a história da princesa Pirlipat deva ser considerado um anticonto, é que a motivação do padrinho Drosselmeier e do Astrônomo para quebrar o feitiço da princesa, não acontece por heroísmo, mas apenas como uma forma para se livrarem da morte. E claro, para finalizar, o desfecho dessa história não é feliz, e depois de ter seu feitiço quebrado, porém tendo o jovem Drosselmeir, com um descuido, também ter sido enfeitiçado, ao invés de cumprir sua promessa de se casar com ele, e ajudar o seu salvador, a princesa termina por rejeitá-lo. Mas, o lixo de uns pode ser o tesouro de outras, e é Marie, uma menina de coração puro, que concede a esse conto o seu final feliz, não desistindo do seu Quebra-Nozes, mas sim, o ajudando a quebrar o seu feitiço, para enfim ter o seu “felizes para sempre” ao lado do belo e jovem Drosselmeier. Quando olhamos esse conto sob as lentes da psicanálise, também vemos um conteúdo que se assemelha aquele que encontramos nos contos de fadas, quando a protagonista conquista o declínio do seu complexo edípico e, principalmente, a maturação da sua sexualidade, ao eleger o seu novo objeto de amor, o Quebra-Nozes, nomeado e reconhecido pelo seu primeiro amor, o pai, partindo assim para uma vida adulta independente ao lado do jovem Drosselmeier em um novo reino. A versão clássica de Alexandre Dumas (pai) não possui tantas diferenças da original, e ter lido ambas em uma única vez, só me fez ter mais atenção a cada detalhe dessa história que, apesar de ter alguns elementos macabros, é uma encantadora história de natal repleta de muita magia e personagens encantadores, que nos transportam para muito longe de toda a loucura das obrigações e tribulações do nosso dia a dia, para sonharmos um pouco, e viajarmos nesse universo infantil. Além de estarmos bem próximos da época de natal, acho que esse já é um motivo bom o suficiente para nos desligarmos das nossas mentes adultas, e embarcarmos em uma aventura gostosa nesse universo fantástico, como as crianças que um dia já fomos! E quem sabe com um pouco de magia, os nossos dias também não se tornem muito mais leves, e cheios dessa mágica de todos os natais? Eu só posso esperar que seja exatamente assim!

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