Como ouvir a voz que foi calada? O exílio de Capitu, suas cartas e outras curiosidades nos propõe e convida à escuta. A escuta das inúmeras mulheres que temos sido, assim com Capitu, julgadas e exiladas em nossas realidades. Tecendo um diálogo com D. Casmurro, de Machado de Assis, o texto surpreende ao trazer um frescor - vindo de fatos de nossa contemporaneidade - que aproxima os jovens leitores da imaginação, do mundo criativo das possibilidades, assim como da escuta empática. Aos poucos, a leitura vai te levando 'pela mão' por uma viagem que fala de encontro, consigo mesmo e com o Outro. Fala também de anseios, de olhos que brilham, de buscas e fala da atemporalidade do amor, como sentido e de um lugar no mundo, que se vai construindo, a partir de um olhar feminino, mas amplo, a despeito da estrutura machista e patriarcal da sociedade. Sem dúvida, será na articulação entre o possível e o desejado, entre o concreto e o sonhado, que novas percepções acerca do feminino ganharão forma. Livros como este oferecem-nos meios de saciar a tremenda sede interna que sentimos de fazer surgir uma sociedade que radicalmente comporte novas formas de se entender e manifestar o feminino.

