Jogo de cena em Bolzano -

    Sándor Márai

    Companhia das Letras
    2017
    216 páginas
    7h 12m
    ISBN-10: B0741M5NNL
    Português Brasileiro

    Em romance inédito no Brasil, Sándor Marái explora a melancolia e a irreverência do veneziano Giacomo Casanova. Condenado pela Inquisição por levar uma vida herética, Giacomo Casanova passou dezesseis meses numa prisão de segurança máxima até dela conseguir fugir. Partindo desse episódio, Sándor Márai empresta artifícios da opereta para criar um envolvente jogo de cena, imaginando que, três dias depois da fuga, os forasteiros teriam chegado em Bolzano, no extremo norte da Itália. Lá, o mal-afamado veneziano usará todas as artimanhas para bancar sua dispendiosa vida, mas terá seu destino abalado pelo encontro com fantasmas de um passado nem tão distante. Espécie de prévia de As brasas, este romance de 1940, até agora inédito no Brasil, também coloca em cena dois homens que se veem como joguetes do habilidoso ficcionista. O grande autor húngaro, além de inspirado criador de aforismos, demonstra mais uma vez sua maestria na construção de monólogos filosóficos saborosos, que tocam nos temas mais caros à literatura: destino, amor, honra, vaidade, vida e morte.

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    Fabiana Martino17/08/2025Resenhou um livro
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    A vida como um grande jogo de cena

    Publicado em 1940, a história mistura filosofia e literatura de maneira refinada. O autor parte de um fato lendário da vida de Casanova (sua fuga da prisão de Veneza) para criar uma narrativa que não é propriamente uma biografia, mas uma ficção reflexiva sobre esse personagem. A respeito da narrativa, notei que Márai não foca tanto na aventura do personagem, mas pelo que ela desperta: diálogos intensos, jogos de poder, confrontos entre liberdade e convenção, entre desejo e moralidade. O prazer está menos na trama e mais na densidade da reflexão. A escrita possui uma elegância clássica, o ritmo é deliberadamente pausado, feito para que o leitor saboreie cada frase como se estivesse diante de um raciocínio em voz alta. Esse ritmo pode cansar o leitor, pois os diálogos são extensos e repetitivos. É um livro para ser degustado devagar.

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