O Poder Simbólico -

    Pierre Bourdieu

    Edições 70
    2021
    510 páginas
    17h 0m
    ISBN-10: 9724423085
    Português Brasileiro

    O conjunto de textos de O Poder Simbólico enuncia, assim, um modo de analisar o social - uma teoria da prática, que deve ela própria ser encarada como um ofício -, associado sempre ao estudo de casos concretos. Estes exemplos sugerem um método que vai ao encontro de muitas das preocupações epistemológicas que o autor enunciou nas entrevistas com Raphael e Chartier, e no diálogo com este último e Darnton, a propósito da história cultural. Desenha-se assim a proposta de uma ciência social integrada, assente, em primeiro lugar, numa crítica histórica às próprias categorias do conhecimento. A sugestão de novas categorias, sínteses e métodos de análise, servida por uma pluralidade metodológica que evita todo o tipo de modismo escolástico - promovido pelos campos segmentados e por aqueles que beneficiam material e simbolicamente de uma tal segmentação - procura criar o que Bourdieu, na "Introdução a uma sociologia reflexiva", designa como constituindo um "novo olhar". De facto, só um novo olhar pode sustentar um projeto alicerçado na pesquisa, onde o tratamento estatístico se articula com a monografia e o estudo de caso, e onde se resolvem tantas antinomias tidas como adquiridas, mas no fundo mero produto de enunciações artificiais ou derivadas de modelos pré-construídos.

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    Clio09/07/2021Resenhou um livro
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    Bourdieu foi um dos sociólogos a desafiar Saussure no tocante a conecção da fala com seu contexto social. Segundo ele, um não poderia ser separado do outro - essa ideia pode não parecer nova, mas é preciso lembrar que esse texto data da década de 80. Em sua concepção, o poder simbólico advém da construção da realidade e que é a solidariedade social (ou intercomunicação, ou reavaliação, ou adaptação) que permite a troca de conhecimentos. Não é necessário dizer que se segue uma discussão sobre ideologias, marxismo, jogo político e o sentido geral do simbolismo coletivo e individual. Sua crítica a Chomski (que por muito tempo foi vedete em Letras) também é avassaladora. Para Bourdieu não há uma razão universal que dê forma a linguagem. É um livro muito interessante para quem se interessa por esse campo específico que circula entre a semiótica e a política, mas por ser altamente teórico, pode desincentivar alguns leitores.

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