A Terceira Vida de Grange Copeland -

    Alice Walker

    José Olympio
    2020
    300 páginas
    10h 0m
    ISBN-10: B08LF2TQTJ
    Português Brasileiro

    Primeiro livro da autora de A cor púrpura, inédito no Brasil. A Terceira Vida de Grange Copeland, primeiro livro de Alice Walker — vencedora do Prêmio Pulitzer de 1983 pelo livro A Cor Púrpura —, revela o cotidiano de uma família negra no Sul dos Estados Unidos, por três gerações. Oprimido pela estrutura racista do condado de Baker, o trabalhador rural Grange Copeland abandona família e amante para ganhar a vida no Norte, mas retorna, após passar por experiências transformadoras, decidido a nunca mais conviver com pessoas brancas. Grange refaz sua vida, torna-se fazendeiro, mas tem que lidar com as consequências de suas escolhas no passado. Escrito com linguagem poderosa e precisa, o livro trata de violência — racial, social, familiar, contra a mulher —, mas também da força humana, capaz de mudar uma realidade inóspita por meio do amor e da ação no mundo. Para a escritora Jarid Arraes, que assina a orelha do livro, "Alice Walker é corajosa. Aborda temas profundamente delicados e tabus dentro da própria comunidade negra. Escreve com a fome de quem precisa contar mais do que a realidade: precisa da crueza, da ferida mais inflamada e difícil de tratar. Esta obra é, em primeiro lugar, literatura para quem não teme a honestidade do espelho, as perguntas dolorosas e o grotesco." "Quase ninguém tentou nos contar sobre o início da vida, sobre a vida íntima das pessoas negras […]. Alice Walker é uma contadora de histórias." – The New Yorker "Alice Walker nos comove ao enfatizar a humanidade que compartilhamos com seus personagens […]. Uma narrativa densa, honesta e sensível […] atenuada pelos momentos de humor e afeto que ajudaram homens e mulheres a suportar tanta tragédia […]. Walker parece segura em deixar que narrativa, caracterização e acontecimentos, a alma de um romance, falem por si mesmos." – Chicago Daily News

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    Rosicler Terezinha Matucheski picture
    Rosicler Terezinha Matucheski27/12/2025Resenhou um livro
    4.5 (Muito bom)

    "A Terceira Vida de Grange Copeland", publicado em 1970, é o romance de estreia de Alice Walker e nos entrega uma narrativa visceral, difícil e extremamente necessária. O livro mergulha em um tema árduo: como o racismo sistêmico e o patriarcado se entrelaçam para criar ciclos de violência doméstica que destroem gerações. ​O Ciclo da Opressão e a Escravidão Econômica ​A história se inicia com Grange Copeland, um meeiro no Sul dos Estados Unidos, vivendo sob um regime de parceria agrícola que nada mais era do que a escravidão disfarçada. Sufocado por dívidas impagáveis e pela humilhação dos proprietários brancos, Grange se torna um homem amargo, bêbado e violento. Incapaz de reagir contra seus opressores, ele desconta sua frustração na esposa e nos filhos, até finalmente abandoná-los na miséria absoluta. ​O Herdeiro do Ódio: Brownfield ​O rastro de destruição de Grange é herdado por seu filho, Brownfield. Em uma das trajetórias mais dolorosas da literatura, vemos Brownfield se transformar em um homem ainda mais cruel e abominável que o pai. Ele se torna o carrasco de sua esposa, Mem. ​A relação entre eles é um retrato brutal da violência doméstica. Mem é uma mulher admirável, amorosa e inteligente, que tenta, através do trabalho duro e do silêncio, oferecer uma vida melhor para suas filhas. No entanto, sua dignidade é vista por Brownfield como uma afronta. O ápice dessa crueldade ocorre quando ele abandona o próprio filho recém-nascido na neve — um ato de maldade pura que sela o destino trágico da família. ​A Terceira Vida e a Redenção ​Após ganhar o mundo e compreender a extensão de sua própria toxicidade, Grange retorna para sua "terceira vida". Ele encontra um cenário de ruínas, mas decide que o ciclo deve parar em sua neta, Ruth. ​Grange compreende que a liberdade real não vem apenas do fim das correntes físicas, mas do estudo e do discernimento. Ele dedica seus últimos anos a armar Ruth com conhecimento, preparando-a para não ser vítima nem carrasco. O desfecho é dramático: um pai que precisa destruir a própria linhagem (Brownfield) para salvar o futuro (Ruth). ​Conclusão ​Alice Walker nos mostra que o trauma geracional deixa cicatrizes que nunca serão totalmente apagadas, mas que podem ser curadas através da consciência. É um livro que mexe com o leitor ao expor que, embora o sistema branco tenha criado a "prisão" da pobreza, a responsabilidade de manter a humanidade viva dentro de casa é de cada indivíduo. Uma leitura obrigatória sobre resiliência, o custo da liberdade e o poder transformador da educação.

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