A Fabricação do Imortal, de Regina Abreu, investiga os processos de construção da memória nacional brasileira, com foco nas práticas museológicas e estratégias de consagração de figuras históricas. A obra aborda a doação da coleção de Miguel Calmon ao Museu Histórico Nacional em 1936, examinando como objetos históricos são transformados em símbolos de identidade nacional. Segundo a autora, essas peças funcionam como “semióforos”, elementos que carregam significados ao serem integrados a narrativas oficiais de memória e a partir disso analisa a construção da memória nacional brasileira através da consagração de figuras históricas e práticas museológicas. A pesquisa também discute o papel de Gustavo Barroso na organização do museu, evidenciando os mecanismos socioculturais que moldam a consagração histórica. A obra oferece uma etnografia densa que desvenda processos sociais de longa duração ainda em curso, refletindo sobre como os "imortais" são fabricados e desfabricados, e como as estratégias de consagração se redefinem no cotidiano dos espetáculos estatais.


