A sociedade contra o Estado -

    Pierre Clastres

    Ubu Editora
    2017
    309 páginas
    10h 18m
    ISBN-10: B072FTSHBL
    Português Brasileiro

    O poder nem sempre é exercido numa relação hierárquica de dominação e submissão – esta é a tese desenvolvida por Pierre Clastres neste que é um dos mais importantes trabalhos de antropologia política do século XX. Os onze artigos, publicados entre 1962 e 1974, fazem uso do arcabouço teórico desenvolvido por autores franceses como Claude Lévi-Strauss, Michel Foucault. O autor se baseia em estudos etnológicos e em sua vivência com populações indígenas da América do Sul para formular um novo conceito de política. O livro foi uma referência importante no argumento de Mil platôs, de Gilles Deleuze e Félix Guattari. De acordo com a visão corrente na época, as sociedades primitivas seriam desprovidas de uma esfera política por não apresentarem formas de exercício de poder iguais às ocidentais – isto é, as relações hierarquizadas e autoritárias de comando-obediência que normalmente são associadas ao Estado. O autor reivindica uma revolução copérnica que liberte a antropologia desta postura etnocêntrica e possibilite uma interpretação mais ampla das relações de poder, abrindo o caminho para o estudo da política nesses povos. Ao analisar as características da posição do chefe, Clastres defende que a ausência de Estado não é casual. Ao contrário, as sociedades primitivas fazem um esforço ativo de regular as interações do chefe com o grupo, estabelecendo os parâmetros segundo os quais as trocas ocorrerão. Clastres propõe uma inversão da lógica marxista segundo a qual o poder de poucos sobre muitos deriva da desigualdade social; defende, ao contrário, que a desigualdade é uma consequência da atribuição de um poder autoritário a um grupo dominante. Assim, em oposição ao conceito de sociedade sem Estado, ele propõe o de sociedade contra o Estado: sociedades que atuam impedindo a conversão do poder do chefe em autoritarismo. A coleção Argonautas traça uma linhagem do pensamento antropológico que tem como centro de força o estruturalismo de Claude Lévi-Strauss.

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    Roberto Pa picture
    Roberto Pa13/11/2012Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Altamente recomendado

    Fabulosa coletânea de artigos de Pedro Clastres que tem como tema central a questão do poder nas sociedades primitivas. Esse livro é um convite a romper com todas as baboseiras que nos foram faladas durante o ensino médio e que ainda repercutem nos meios de comunicação, sem deixar, por isso, de apresentar farto material para que todos que simpatizam com a antropologia ou com a discussão sobre o poder possam se deliciar. Os créditos dessa façanha, acredito, vão tanto para o autor quanto para o tradutor, pois o livro tem uma escrita muito boa, clara, objetiva. Esse livro pode abrir as portas para um novo entendimento de desenvolvimento, Estado, chefia, linguagem e sobre os indígenas americanos.

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