A enchente [ebook] (Blackwater #1) -

    Michael McDowell

    Arqueiro
    2025
    272 páginas
    9h 4m
    ISBN-10: B0DTPHFKM5
    Português Brasileiro

    A série Blackwater já vendeu mais de 2 milhões de livros no mundo. Quando as águas do rio Blackwater inundam a cidadezinha de Perdido, no Alabama, a poderosa família Caskey luta para salvar sua fortuna em meio ao caos, liderada pela matriarca Mary-Love e seu filho Oscar. Eles só não contavam com a aparição de Elinor Dammert, uma mulher misteriosa que aos poucos se infiltra no seio dos Caskeys. Por trás de sua fachada encantadora, esconde-se algo perturbador, que mudará o destino deles para sempre...

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    Vitória 02/08/2025Resenhou um livro
    2.5 (Razoável)

    "Aquele odor havia se entranhado nas tábuas, nas vigas e nos tijolos. Vez ou outra, isso lembrava Perdido da desolação que havia sofrido e da que poderia muito bem voltar a acometer a cidade."

    "A Enchente" é o primeiro volume da série Blackwater, composta por seis livros, e publicado no Brasil pela Editora Arqueiro. Descobri o audiobook na Audible, disponível provisoriamente no catálogo de agosto de 2025 para assinantes, e aproveitei uma viagem para finalmente dar uma chance a essa história que já vinha me chamando atenção, principalmente pela capa que é belíssima, não somente desse primeiro livro, como todos os outros da série. O livro é essencialmente uma grande introdução. McDowell se dedica bastante a apresentar Perdido, essa cidadezinha misteriosa do Alabama, e os personagens peculiares que nela habitam. O clima sombrio e carregado de estranheza está presente em cada detalhe — dos cenários aos diálogos — e cria uma ambientação muito envolvente, o que considero o ponto alto da obra. Tem aquele jeitão de suspense sulista, quase gótico, que me agrada bastante. No entanto, o excesso de introdução acaba sendo um problema. O autor levanta muitas perguntas, mas entrega poucas respostas. O enredo avança pouco, o que me deixou com a sensação de que algo importante ficou faltando: aquele gancho forte que realmente nos prende e nos faz querer devorar os próximos volumes. Apesar disso, os personagens são interessantes, e o mistério em torno deles me deixou com alguma curiosidade. Há pequenas pistas e desconfianças no ar que podem vir a ser melhor desenvolvidas nos próximos volumes — e é isso que me faz considerar seguir com a série. No geral, "A Enchente" não é um livro ruim, mas também não me convenceu completamente. É como se prometesse algo grandioso, mas entregasse apenas a preparação. Por enquanto, sigo intrigada, mas sem grandes expectativas. Talvez o segundo volume seja o ponto de virada para decidirmos se vale a pena continuar. Em resumo: É um livro com um começo atmosférico e intrigante, mas introdutório até demais. Pode valer a pena insistir no próximo livro para ver se essa estranheza toda encontra algum rumo, mas não me surpreende se alguém parar por aqui. • SPOILERS | Quotes, Notes & Highlights • "Mas Perdido ainda sofreu por muito tempo os efeitos da enchente, meses e meses depois de as águas baixarem, mesmo depois de a rede de esgoto ser instalada e a nova estação de bombeamento trazer a água mais fresca e doce que qualquer pessoa da cidade já havia provado. Era como se o fedor da enchente nunca tivesse desaparecido por completo. Mesmo depois de limpar o lodo das casas, esfregar as paredes, colocar novos tapetes e cortinas, comprar novos móveis; mesmo depois de queimar tudo o que fora estragado e de retirar dos quintais os galhos partidos e as carcaças podres de animais mortos; mesmo depois que a grama voltou a crescer, todos em Perdido subiam as escadas no final da noite, pousavam a mão no corrimão e, sob o aroma dos jasmins e das rosas na varanda, sob o cheiro pungente do jantar na cozinha, sob o perfume do próprio colarinho engomado… sentiam o odor da enchente. Aquele odor havia se entranhado nas tábuas, nas vigas e nos tijolos. Vez ou outra, isso lembrava Perdido da desolação que havia sofrido e da que poderia muito bem voltar a acometer a cidade." "Quem era Elinor Caskey? E de onde vinha? Ela não falava sobre a família. Tinham vivido em Wade, no condado de Fayette, e agora estavam todos mortos. Seu pai costumava operar a balsa que atravessava o rio Tombigbee. Elinor havia cursado a Faculdade de Huntingdon, mas Oscar sequer sabia quem pagara pela sua educação. Ela nunca falava sobre amigas em Montgomery, nunca recebia cartas delas, nunca lhes escrevera. Elinor tinha aparecido um dia em um quarto do Hotel Osceola e Oscar se casara com ela. Isso era tudo." "— (...) As mulheres descobrem as coisas primeiro, depois contam para os homens, ou eles não saberiam de nada, depois as criadas bisbilhotam e as últimas a saber de qualquer coisa são as crianças. E às vezes as crianças nunca ficam sabendo, mesmo depois de crescerem. Alguns segredos morrem."

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