A confissão da leoa [ebook] -

    Mia Couto

    Companhia das Letras
    2016
    190 páginas
    6h 20m
    ISBN-10: B009WW5DD6
    Português

    Ataques de leões aterrorizam uma aldeia moçambicana. Vindo da capital com a missão de liquidar as feras, um caçador se vê enredado em intrigas, mitos e traições. Mia Couto fala de uma África profunda onde o desejo de liberdade enfrenta formas modernas e ancestrais de opressão. Em 2008, quando Mia Couto participava da expedição de uma equipe de estudos ambientais ao norte de Moçambique, começaram a ocorrer na região ataques de leões a pessoas. Essa experiência inspirou o autor a escrever este romance singular. Em A confissão da leoa, uma aldeia moçambicana é alvo de ataques mortais de leões provenientes da savana. O alarme chega à capital do país e um experimentado caçador, Arcanjo Baleiro, é enviado à região. Chegando lá, porém, ele se vê emaranhado numa teia de relações complexas e enigmáticas, em que os fatos, as lendas e os mitos se misturam. Uma habitante da aldeia, Mariamar, em permanente desacordo com a família e os vizinhos, tem suas próprias teorias sobre a origem e a natureza dos ataques das feras. A irmã dela, Silência, foi a vítima mais recente. O livro é narrado alternadamente pelos dois, Arcanjo e Mariamar, sempre em primeira pessoa. Ao longo das páginas, o leitor fica sabendo que eles já tiveram um primeiro encontro muitos anos atrás, quando Mariamar era adolescente e o caçador visitou a aldeia. O confronto com as feras leva os personagens a um enfrentamento consigo mesmos, com seus fantasmas e culpas. A situação de crise põe a nu as contradições da comunidade, suas relações de poder, bem como a força, por vezes libertadora, por vezes opressiva, de suas tradições e mitos.

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    Edmar Lima23/04/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    A confissão da leoa

    A história se passa em uma aldeia de Moçambique atacada severamente por leões. Apenas mulheres são vítimas. A narrativa fica divida entre dois personagens: Mariamar, uma habitante da aldeia, que desde pequena é cercada por mistérios e é irmã da vítima mais recente; e Arcanjo Baleiro, um experiente caçador que veio da capital para por fim a ameaça fatal. Alternadamente, sempre em primeira pessoa, os dois personagens contam sobre o conservador sistema patriarcal da aldeia e como as lendas envolvendo a região são extremamente sagradas para os moradores. Aos poucos percebemos que os leões não representam o maior perigo daquela comunidade, e sim, os costumes tradicionais e machistas que minam as oportunidades das mulheres e cercam suas vidas. Nunca havia lido uma obra de Couto, mas "A confissão da leoa" foi recomendado por uma conhecida que o adora e resolvi dar uma chance. Sendo honesto, nem vi as páginas passarem e a história o envolve de tal maneira que você quer que ela não termine. Impossível não se apegar à figura de Mariamar. Uma mulher forte e decidida, que desde pequena sabia que era diferente e que seu destino era para além da aldeia em que morava. A escrita de Mia Couto me lembrou a de Conceição Evaristo em seu livro "Ponciá Vicêncio". As duas obras abordam a relação próxima de mãe e filha e o lugar da mulher na sociedade. Mariamar e Ponciá se assemelham pela infância mística: a primeira perdeu os movimentos da perna, mas depois os recuperou e a segunda chorou dentro da barriga da mãe. Ambas conviveram com homens que não as respeitaram e as consideraram loucas por não serem submissas. E por fim, as duas não perderam sua essência, apesar de tudo. Enfim, esse é um livro muito significativo para mim e com certeza um dos meus preferidos. Que venham outros de Mia Couto! A literatura moçambicana resiste!

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