A história da sátira, em Roma, além do interesse genérico e literário que suscita, ainda desperta a curiosidade para estudarem-se os usos e costumes romanos, as festas e a descrição catedralesca das suas saturnais dissolutas. Ninguém como Juvenal, porém, para, com aquela predisposição toda peculiar de rir dos outros, com espírito de justiça para castigar o que escapa à punição expressa da lei. Naturalmente nelas tudo se exagera: as generalizações se personalizam, isto é, o ataque vai direto à personalidade. A sátira é uma espécie de caricatura literária. Juvenal conduz-nos naturalmente por esse roteiro de reflexões não só meramente literárias. Mesmo porque, somente com sutis exegeses que lhe farão, talvez, perder a beleza poética, haveremos de apreender toda a graça dos seus conceitos satíricos.


