“Lorena sentiu que furtava junto ao teto. Olhou para baixo e viu seu corpo adormecido sobre a cama. Uma força suave, mas irresistível, puxou-a para fora do quarto, fazendo com que atravessasse a parede com surpreendente facilidade. As copas das árvores do pomar projetavam sombras misteriosas sobre o gramado recém-aparado e foi de lá, do meio das árvores antigos, que um rapaz desconhecido veio caminhando no devagar, com aquele jeito cuidadoso de quem tem medo de incomodar. O luar acentuava a palidez do rosto e sua expressão de tristeza era cativante, mas quando Lorena viu o rapaz estender a mão em sua direção, recuou. - Não tenha medo - ele pediu” Este Maria Regina dialoga com a nova novela o Fantasma de Canterville, de Oscar Wilde, e com algumas sonata de Beethoven. O sólido, predominante na obra, aparece como pano de fundo para ativar as lembranças de um fascinante período de nossa história, quando os atos de corrupção dos políticos começaram a ser denunciados e rechaçados pela população em grandes manifestações.




