Kollontai - Desfazer a Família, Refazer o Amor

    Olga Bronnikova, Matthieu Renault

    Boitempo
    2025
    216 páginas
    7h 12m
    ISBN-13: 9786557174357
    Português Brasileiro

    Figura importante na Revolução Russa de 1917, Aleksandra Kollontai foi pioneira do feminismo socialista e a primeira ministra de Estado do mundo contemporâneo. Kollontai: desfazer a família, refazer o amor, de Olga Bronnikova e Matthieu Renault, é uma biografia que recupera a vida e a obra dessa revolucionária russa, com destaque para suas críticas às relações de gênero. Os autores apresentam as dificuldades que Kollontai enfrentou no partido referente às questões sobre as mulheres e não deixam de mostrar aspectos contraditórios da biografada. O livro explora até que ponto, para Kollontai, a emancipação das mulheres depende fundamentalmente da abolição da família e das relações de propriedade. A partir dessa ideia, surge uma reinvenção radical do amor e da sexualidade e, especialmente, da coletividade das tarefas reprodutivas, começando pela maternidade e pelo cuidado com os filhos. Antes de a contrarrevolução sexual varrer os avanços pós-1917, Kollontai foi figura central em importantes decisões, como o direito ao aborto e ao divórcio. Sua trajetória política sempre foi contrária ao senso comum de que questões relativas ao gênero deveriam ser problemas periféricos: “Kollontai não deixaria de demonstrar que a luta pela igualdade homens-mulheres no plano econômico e social e a reinvenção das formas do amor e da sexualidade eram indissociáveis, e que sua trama delineava um programa revolucionário completo, dotado de uma autonomia que não impedia – ao contrário, pressupunha – sua articulação estreita com as ‘tarefas do proletariado’. Por essa razão, a satisfação dessas reivindicações não podia ser adiada eternamente sem comprometer o futuro do próprio comunismo”, escrevem Bronnikova e Renault no prólogo.

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    Clara Barbosa10/08/2025Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    "Uma mulher pode ter igualdade de direitos e ser verdadeiramente livre só em um mundo de trabalho socializado, de harmonia e justiça."

    Um dos melhores livros que li este ano... Eu leio sobre Alexandra Kollontai há muitos anos, desde minha época como militante comunista ativa em partido. As lutadoras russas da Revolução sempre tiveram um enorme impacto em mim, por pensarem um novo mundo enquanto o construíam e, claro, por serem mulheres tão inscritas no seu tempo. Kollontai nâo fugiu disso: seus escritos sobre amor livre, comunismo, socialização do trabalho doméstico feminino e autonomia da mulher são radicais no sentido de "ir à raiz do problema"; de afirmar como a luta de classes também é uma luta que deve envolver o amor e o sexo pensando-os vinculados à liberdade e sem as amarras da propriedade. No entanto, os autores não deixam de mostrar alguns dos limites da própria intelectual - mostrando não só como isso se relaciona com sua origem social aristocrática e seu "flerte" com a eugenia - sem descredibilizar e reforçar o seu compromisso ético-político de forjar a sociedade comunista. Kollontai ainda é atual em diversos níveis. Não deixo de considerar que todo o debate sobre poliamor tão propagado hoje poderia beber, também, de sua fonte, na medida em que mudar a form como nos relacionamos (casamento monogâmico, criação de filhos, a herança etc.) perpassa necessariamente pela mudança das bases sociais e do modo de produção. Destaco, em especial, seus escritos sobre família, maternagem, a concepção de creches públicas e as vilas infantis e adultas (algo que me lembrou muito fragmentos de Os Despossuídos, de Ursula K. Le Guin, que pode ter sido uma leitora de Alexandra).

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