Vida vertiginosa -

    João do Rio

    WMF Martins Fontes
    2024
    238 páginas
    7h 56m
    ISBN-13: 9788546906635
    Português Brasileiro

    NA PRIMEIRA DÉCADA do século passado, as reformas urbanas do prefeito Pereira Passos, conhecidas como “bota-abaixo”, transformaram a vida no Rio de Janeiro. É um período histórico até recentemente mal estudado, apesar de ser um dos mais fascinantes da história da cidade. João do Rio, considerado por muitos o verdadeiro criador da crônica carioca, retratou essa época como ninguém. Vida vertiginosa, publicado em 1911, no apogeu da carreira de João do Rio como jornalista e literato, é um dos melhores livros do autor. Cronologicamente o décimo de longa lista, é uma coletânea de 25 crônicas publicadas na imprensa carioca e paulistana entre 1905 e 1910. Junta textos aparentemente díspares, reunidos sob a temática da velocidade, da vida moderna e da nostalgia por certos costumes em desaparição. Apesar do estilo art nouveau, parecem escritos sobre os dias de hoje. João Carlos Rodrigues

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    Jacqueline03/05/2022Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Em Vida Vertiginosa, João do Rio dos dá um cenário da sociedade carioca do final do século XIX e início do século XX a tão falada Belle époque brasileira, em que estava efervescente a cultura das grandes cidades, novas formas de arte, novas tecnologias - era recente a iluminação elétrica, os automóveis, o feminismo, dentre outras novidades que borbulhavam na Capital do Brasil, na época, o Rio de Janeiro. Da mesma forma que evidencia todo o esplendor carioca, ele o faz de forma muita irônica, e mesmo sendo escrito no início do século XX, é impossível não compararmos o comportamento de uma sociedade com semelhanças que não se diluíram com o tempo e vemos ainda hoje em nosso meio. O escritor evidencia o paralelo de uma cidade de ostentações, com a população muitas vezes deixada de lado como os mendigos e os trabalhadores que moram nas favelas. Também mostra essa cultura que o carioca/brasileiro tinha (ainda tem?) de valorização de tudo que é estrangeiro: teatro, música, artes, roupas, viagens, e até da própria língua. E também a desvalorização de nossa cultura, matérias-primas e a arte do país, e essa busca constante em não nos apresentar como pessoas primitivas.  João do Rio traça esse panorama de figuras como os patriotas que esculhambam qualquer tipo de Governo pois não são do seu grupo; da desvalorização dos jornalistas; de estar sempre em evidência e se perder entre o particular e público; entre a modernidade da vida e apesar da tecnologia nos trazer novos aparatos para facilitar nossos processos, estarmos cada dia mais atarefados pela falta de tempo.   Nessas 25 crônicas não há somente uma descrição geral da cidade, mas a essência de cada tipo existente tanto na política, no comércio, na intimidade de uma casa, ou na seresta das favelas, até mesmo nos animais muito discretos e explorados como os burros de carga, e ele fez isso magistralmente, como observador ele conseguiu incluir nos seus escritos a estrutura e natureza das pessoas de uma época. https://instagram.com/a_lusotopia

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