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    Cenas da sujeição - Terror, escravidão e criação de si na América do século 19

    Saidiya Hartman

    Fósforo
    2025
    528 páginas
    17h 36m
    ISBN-13: 9786560000896
    Português Brasileiro
    4.8
    7 avaliações
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    Publicado originalmente em 1997 e hoje um clássico dos estudos afro-americanos, Cenas da sujeição ganhou versão ampliada nos 25 anos de seu lançamento, confirmando Saidiya Hartman como uma das vozes mais lúcidas, originais e respeitadas no debate sobre o trauma da escravidão e o racismo nos Estados Unidos. Valendo-se de um amplo conjunto de documentos, entre os quais narrativas de escravizados, diários das plantations, letras de música popular, cartilhas de libertos e casos levados à justiça, Hartman demonstra que, mesmo após a Guerra Civil e a abolição, os elementos fundamentais do período escravista se mantiveram praticamente inalterados no país, chegando até os dias atuais ― do que nos dão mostra os seguidos episódios de violência policial que fizeram emergir o movimento Black Lives Matter. Cenas da sujeição é dividido em duas partes: escravidão e liberdade. Na primeira, Formações do terror e do gozo, Hartman examina os espetáculos de menestréis e de blackface, as estratégias empregadas pelos escravizados para criar zonas transitórias de liberdade ― da desaceleração do trabalho às reuniões secretas ― e a violência sexual na escravidão, contestando veementemente a ideia de consentimento na relação das escravizadas com seus senhores. Na segunda parte, O sujeito da liberdade, vê-se como os aparatos da escravidão sobreviveram na tessitura da nação após a abolição ter sido formalizada. A liberdade advinda da emancipação, aponta a autora, exigia de ex-escravizados pauperizados uma série de obrigações inalcançáveis para se integrarem à sociedade, enquanto a prática da servidão por dívida compunha um novo sistema de exploração. A edição ainda conta com apresentação do escritor e professor de Princeton Keeanga-Yamahtta Taylor, que afirma: “Gostamos de discutir as distorções da história nacional como uma amnésia, quando é mais apropriado entender nossa aflição como uma memória seletiva coagulada com omissões destinadas a obscurecer a verdade crua sobre nossa sociedade”. Uma frase que ganha relevo ainda maior em tempos de segundo mandato de Donald Trump.

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    Leandro Aguiar picture
    Leandro Aguiar05/05/2026Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Quando a Denúncia Reproduz a Violência: Uma Leitura de Cenas da Submissão

    Ao ler Cenas da Submissão, de Saidiya Hartman, tive a impressão de estar diante de uma obra que nos obriga a reconsiderar profundamente a forma como narramos a escravidão e suas consequências. A autora não se limita a descrever a violência do sistema escravista, mas analisa como essa violência foi transformada em espetáculo e, muitas vezes, reproduzida nas próprias narrativas que pretendiam denunciá-la. O que mais me chamou atenção foi a maneira como Hartman questiona a empatia do público diante do sofrimento das pessoas escravizadas. Em vez de tratar essa empatia como algo necessariamente emancipador, ela mostra que muitas vezes ela reforça relações de poder e mantém o corpo negro preso a uma lógica de exposição e controle. Ao longo do livro, percebi que a autora busca revelar as continuidades entre o período da escravidão e as formas modernas de dominação racial. Isso me levou a refletir sobre como certas estruturas de poder persistem mesmo quando as instituições que as originaram já não existem formalmente. A escrita de Hartman é densa e teórica, mas ao mesmo tempo provocadora. Em vários momentos senti que ela nos convida a repensar não apenas a história, mas também o modo como produzimos conhecimento sobre o passado. Ao final da leitura, fiquei com a sensação de que o livro não oferece respostas simples, mas abre um campo de reflexão importante sobre memória, violência e representação. Por isso, considero a obra fundamental para quem deseja compreender criticamente as heranças da escravidão.

    5 curtidas

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