Lá fui eu lembrar que poesia existe e que nem toda leitura precisa te socar emocionalmente para funcionar. Fazia tempo que eu não pegava um livro de poemas e confesso que estava com saudade dessa delicadeza que conversa baixo, mas diz muito. Esse livro chegou exatamente no momento certo, como quem apaga a luz do quarto e sussurra “calma, respira”.
Costumo ler poesia nas minhas noites de insônia, quando o corpo está cansado, mas a mente insiste em correr maratonas sem sentido. E, curiosamente, esse livro fez aquilo que poucos conseguem: me distraiu a ponto de afastar o problema que me levou até ele. As páginas foram passando, os versos foram me embalando, e quando percebi, o silêncio já não era pesado, era confortável.
As poesias são envolventes de um jeito simples, sem esforço exagerado, sem tentar parecer mais profundo do que precisa. Gabriel tem uma escrita que acolhe, que te puxa pela mão e te faz sentir. Cada verso parece pensado para tocar algum cantinho do leitor, seja ele romântico, machucado, sonhador ou só alguém que sente demais. Dá para se apaixonar, refletir e até suspirar sem perceber.
Nem todos os poemas são felizes ou idealizados, e isso é um ponto forte. Mesmo quando o amor não aparece em sua forma mais bonita, ainda existe leveza. Existe verdade. Existe aquela sensação de que sentir, mesmo quando dói, ainda vale a pena. E isso faz com que o livro não seja cansativo nem repetitivo, pelo contrário, ele flui como um diálogo íntimo.
No fim das contas, foi uma leitura que cumpriu exatamente o que prometeu. Me reconectou com a poesia, com o romantismo que não precisa ser exagerado e com o prazer de ler algo que não pesa, não exige, apenas existe. Terminei o livro com o coração mais calmo e a certeza de que, às vezes, tudo o que a gente precisa é de palavras gentis para conseguir descansar.