Novíssima Tradução do Crátilo -

    Platão

    Miguel de Cervantes Editora
    2021
    95 páginas
    3h 10m
    ISBN-10: B0BN4BBHBY
    Português Brasileiro

    Apresentamos um novíssima e atualizada versão da obra Crátilo, de Platão (428-347 a.C.), diretamente do grego clássico para o português. O Crátilo (do grego Κρατύλος, Kratylos) é um dos diálogos platônicos escrito no período considerado intermediário do pensamento de Platão. Nesse diálogo, Sócrates vai ser questionado por Crátilo e por Hermógenes, que queriam saber se os nomes eram atribuídos por alguma “convenção” ou eram atribuídos “naturalmente”, ou seja, se a linguagem é um sistema de símbolos arbitrários ou se as palavras possuem uma relação intrínseca com as 'coisas' que elas significam. Para Crátilo, cada 'coisa' tem, por natureza, um nome apropriado, e que não se trata da denominação que alguns homens convencionaram dar-lhes; as palavras têm sentido certo, independente de quem fala. Hermógenes vai defender o contrário, dizendo que os nomes não são estabelecidos pelos homens. De acordo com Platão, as 'coisas' têm uma verdade única e fixa, que traduz os nomes e que transcende a experiência humana. Assim, convirá nomear as 'coisas' pelo modo natural de nomeá-las e serem nomeadas, e pelo meio adequado, não como imaginamos que devemos fazê-lo, caso queiramos ficar coerentes com o que concordamos. Só por esse modo, de fato, damos nomes às 'coisas'; do contrário, é impossível. Platão aprofunda mais a explicação na defesa da sua tese, de que as 'coisas' têm essência permanente, não podendo ser deslocadas em todos os sentidos por nossa fantasia. Fazendo uma analogia entre a linguagem e o tear, vai demonstrar que as ações também têm uma essência fixa, comparando o modelo com um trabalho artesanal e modelo para o nome, no ato de nomear algo. Sócrates vai defender a existência de um nome ideal, que nem todos os homens têm capacidade para impor nomes, apenas o “legislador” que escolhe e fixa os mesmos. Há consenso de que esse diálogo seja uma das primeiras obras filosóficas do período clássico grego a tratar de etimologia e linguística.

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    Danilo Rosa Gonçalves13/12/2023Resenhou um livro
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    Muito interessante a análise etimológica.

    Que livro sensacional. A discussão central é bem interessante, mas me surpreendi bastante quando as análises etimológicas foram feitas. Acredito que para quem sabe grego este texto deve ser muito gostoso de se analisar. É sempre muito bom poder ter contato com Sócrates e aprender com ele. A tese central é de que os nomes têm de representar a essência das coisas - tendo como pressuposto que as coisas estão em movimento, mas que há uma essência que é fixa [como condição necessária para a capacidade de conhecer algo]. A conclusão é de que é preferível conhecer as coisas por elas mesmas e não só pelos nomes.

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