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    Vita Brevis - (eBook)

    Jostein Gaarder

    Companhia de Bolso
    2009
    82 páginas
    2h 44m
    ISBN-10: B009ZJ7S5W
    Português Brasileiro
    3.8
    1285 avaliações
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    Gaarder volta a dramatizar a filosofia, desta vez virando do avesso a doutrina de santo Agostinho - vivíssima até hoje na moral cristã - numa hipotética réplica a suas Confissões. Flória Emília amou profundamente Aurel, entregando-se a ele e aos prazeres sensuais em que ele era mestre. Foi sua companheira fiel nas horas difíceis e dele gerou um filho. Doze anos coabitou com ele, embora pertencesse a uma casta inferior e, por isso, fosse malvista pela família de Aurel, sobretudo por sua santa e piedosa mãe. Então, foi abandonada, expulsa de repente, sem nem poder dizer adeus ao amado filho, que nunca mais veria. Mesmo assim, jurou fidelidade eterna a Aurel, a ele que se tornaria exemplo cristão, bispo de Hipona, Padre da Igreja católica e por fim santo - Santo Agostinho. E agora, Flória Emília escreve-lhe esta carta...

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    Joseilton de Lima Correia picture
    Joseilton de Lima Correia02/09/2010Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Uma mulher à frente de seu tempo.

    Ler Vita Brevis, é mergulhar em um período histórico que ainda hoje é pouco documentado. É uma época de difíceis achados históricos, pois se trata doos séculos IV e V da era cristã, ou seja, o declínio do Império Romano perante as invasões barbaras, e o condicionamento da Igreja cristã que mais a frente surgiria mais forte e unificada. No livro, Flória Émilia escreve uma carta-resposta para Aurélio Agostinho(Santo Agostinho) que é bispo de Hipona Régia, cidade que naquele momento era um dos pilares de sustentação da Igreja Católica. Flória comenta e rediscute a história do livro de Santo Agostinho, que no caso, são as suas Confissões. E a partir de Flória, essas Confissões ganham uma nova leitura. Pois, Santo Agostinho relata suas mémorias, munido muitas vezes de discursos exaltando a abstinência da carne, dos sentidos, das vontades do corpo. E vê tudo como uma forma de se aproximar de Deus. Esse radicalismo levou Agostinho a experimentar extremos, como comer apenas para fazer o corpo se sustentar, ter cuidado com os sonhos, repudiar o sexo feminino, e perceber em muita coisa física, a ausência de Deus(que se tornou, aquilo que Agostinho chama de A Definição do Mal). Então, ao receber o livro de Agostinho do Padre de Cartago, Flória que é uma mulher altamente letrada, começa a contrapor os pontos falados por Agostinho, afinal ela o conhecia bem por ter sido sua concumbina por 12 anos, chegando a ter um filho com ele, chamado Adeodato. Agostinho tentando esconder/esquecer, chama Flória em suas confissões de A Outra. Munida de inteligência fora do comum para uma mulher da época, Flória rebate com elegância e fortaleza, as questões de fé levantadas por Santo Agostinho. Flória bebe da fonte de grandes pensadores da Antiguidade Clássica(Grécia e Roma)por exemplo: Cícero, Homero, Horácio, Terêncio. E fazendo alusões a algumas escolas de pensamento gregas como o Epicurismo e o estoícismo. Tão compraovada era sua sabedoria, que Flória vê com olhos de desprezo, a paixão de Agostinho pelos escritos platônicos, algo que vai fundamentar altamente a obra mais importante do santo, o livro A Cidade de Deus. Por tudo isso, não há como se render a Flória Emília. Uma mulher que estava acima de sua classe social, do seu tempo, e que foi um coringa na história como outras mulheres de seu tempo como Santa Modesta. Trazendo para o nosso tempo, Flória é a figura da mulher moderna, que não se cala diante das intervenções dos homens, de políticas masculinas, e que buscou de uma forma incrivel o conhecimento, para poder se defender das armadilhas que o homem lançava as mulheres naquela época. Era uma visionária, porque já adianta em sua carta algo que só aconteceria oito séculos depois, o começo da perseguição as mulheres. Realmente ela tinha razão ao dizer que "[...]Escrevo essa carta não só para voce Aurel, mas talvez para toda a Igreja Cristã." É uma pena não sabermos o que aconteceu com Flória, mas ela tinha razão em muita coisa que escreveu. Principalmente quando dizia que "A vida é muito curta."

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