Quem é a elite do atraso? Como pensa e age essa parcela da população que controla grande parte da riqueza do Brasil? Onde está a verdadeira e monumental corrupção, tanto ilegal quanto ''legalizada'', que esfola tanto a classe média quanto as classes populares? A elite do atraso se tornou um clássico contemporâneo da sociologia brasileira, um livro fundamental de Jessé Souza, o sociólogo que ousou colocar na berlinda as obras que eram consideradas essenciais para se entender o Brasil. Por meio de uma linguagem fluente, irônica e ousada, Jessé apresenta uma nova visão sobre as causas da desigualdade que marca nosso país e reescreve a história da nossa sociedade. Mas não a do patrimonialismo, nossa suposta herança de corrupção trazida pelos portugueses, tese utilizada tanto à esquerda quanto à direita para explicar o Brasil. Muito menos a do brasileiro cordial, ambíguo e sentimental. No âmago da interpretação de Jessé não está a corrupção política. Para ele, a questão a partir da qual se deve explicar a história passada e atual do Brasil - e de suas classes, portanto - não é outra senão a escravidão. Sob uma perspectiva inédita, ele revela fatos cruciais sobre a vida nacional, demonstrando como funcionam as estruturas ocultas que movem as engrenagens do poder e de que maneira a elite do dinheiro exerce sua força invisível e manipula a sociedade - com o respaldo das narrativas da mídia, do judiciário e de seu combate seletivo à corrupção.
A elite do atraso (Edição revista e ampliada) [ebook] - Da escravidão a Bolsonaro
Jessé Souza
Uma Obra-prima!
Parabéns Jessé Souza. "O ódio ao pobre hoje em dia é a continuação do ódio devotado ao escravo de antes." Esse livro seguramente é um dos melhores do grande Jessé Souza, demorei para terminar essa leitura porque é muito densa e tem muitos conceitos, mas sendo o Jessé vale muito a pena, ele certamente é um dos maiores intelectuais do Brasil seja entre os vivos como ele ou entre os mortos, desejo ler toda a obra dele um dia. Em elite do atraso ele desconstrói nossa interpretação da sociedade brasileira para depois construí-la de modo correto. Foi inevitável o Jessé me convencer de suas ideias e conclusões, a análise da classe média é fenomenal e a crítica a grande imprensa é cirúrgica e extremamente verdadeira, iria dar exemplos que sozinho pude perceber, mas desisti para não deixar muito longa a resenha. Ler esse livro foi um verdadeiro estudo, pois o tema é muito extenso e a compreensão não é fácil, além de ter umas palavras complicadas. O autor não facilitou e está bem acadêmico, sinto que o livro não foi escrito para o grande público, parece mais um livro base para outras pessoas explicarem para o grande público, demorei 2 meses na leitura, entretanto, acredito que quando eu ler pela segunda vez terei uma compreensão muito mais ampla e lerei bem mais rápido. Aqui vai umas pequenas interpretações com as minhas palavras: O autor tem a tese de que o racismo científico baseado na cor da pele não acabou só mudou de embalagem, agora é chamado de culturalismo, a ideia de que uma cultura é melhor que outra, que europeus e "americanos" são melhores que africanos ou latinos, por exemplo, e que isso é colocado na cabeça dos cidadãos de ambos os lados, um para se sentir superior e o outro para se sentir inferior e com isso ambos ficarem conformados com suas situações. Outra tese é que a corrupção no Brasil não começa na política, a corrupção vem da elite que usa o poder e o dinheiro para romper os políticos para atender seus interesses, enquanto a corrupção dos políticos é na casa dos milhões, o lobby da elite é de bilhões e um dinheiro que vai para fora do Brasil. Simplesmente não dá par falar de tudo que eu gostaria sobre esse livro em uma resenha, pois já está enorme e eu nem falei da classe média, e nem dei exemplos claros da manipulação da mídia, que tem casos recentes que são contundentes. Poderia escolher muitos trechos dessa obra grandiosa então foi difícil colocar só esses: "Muito se fala sobre a escravidão e pouco se reflete a respeito. Fala-se na escravidão como se fosse um nome e não um conceito científico que cria relações sociais muito específicas." "Como todo processo de escravidão pressupõe a animalização e humilhação do escravo e a destruição progressiva de sua humanidade, como o direito ao reconhecimento e à autoestima, a possibilidade de ter família, interesses próprios e planejar a própria vida, libertá-lo sem ajuda equivale a uma condenação eterna. E foi exatamente isso que aconteceu entre nós." "A classe média sempre foi, desde meados do século passado, no Brasil, a tropa de choque dos ricos e endinheirados. É preciso compreender, no entanto, como isso se tornou possível." "Todas as classes do privilégio tendem, necessariamente, a ver seu privilégio como inato ou merecido. Como diria Weber, os privilegiados não querem apenas exercer o privilégio, mas querem também que esse mesmo privilégio seja percebido como merecido e como um direito."
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