O que aconteceria se Portugal tivesse uma colônia da qual nunca ouvimos falar? Esquecida no meio do Atlântico, a Gloriosa República das Ilhas Afortunadas é a estrela desse romance, trazendo um ar de distopia… mas nem tanto assim.
Pilares é contado sob os olhos de Aquiles, um adolescente perspicaz, preocupado com as avaliações da escola e filho de Atena, uma professora de história diferente da maioria e convidada para um novo cargo do alto escalão do governo. Mas, será que em meio ao caos político, o idealismo fala mais alto?
Na narrativa de Breno Botelho, o leitor acompanha um país que caminha cada vez mais para uma distopia. Nós, brasileiros, talvez nos lembremos de momentos da nossa história em que a liberdade era ameçada, que notícias não eram o que diziam ser e, até mesmo, do medo de andar na rua. Nesse livro, o autor me fazia lembrar constantemente de tempos em que eu me perguntava o quão próximo de um livro do George Orwell ou do Ray Bradbury estávamos. E histórias assim, no fundo, são necessárias.
Breno é um autor com um repertório cultural vasto e isso fica evidente em sua escrita. Sua mensagem é visível dentro de uma proposta original e complexa, o que me atraiu muito para a leitura. Contudo, o que senti falta foi de mais elementos para compor o universo das Ilhas Afortunadas, como hábitos e histórias daquele povo, assim como de um enfoque maior no íntimo dos personagens principais. Ainda assim, Pilares foi uma leitura ousada, uma distopia dentro do universo de Portugal-Brasil-África. Afinal, ás vezes, estamos mais perto de uma distopia do que parece…
Nota: ⭐⭐⭐