Se, por um lado, como dizia Ferreira Gullar, o poema nasce do espanto, penso que pouco valeria, se ele, o poema, não causasse espanto no leitor. Temos, em Canção para os seus olhos e outros castanhos, a espantosa poesia de Angel Cabeza. "Se pousares / levemente / a cabeça / no riacho / do meu / tórax, / ouvirás / um alarido / de preces". O espanto, em Angel Cabeza, não é do tipo “É mesmo! Como eu não pensei nisso antes?” O espanto, em Angel Cabeza, é do tipo “Caramba! Como esse cara escreve isso, desse jeito?” O espanto é do leitor. "É inverno lá fora, / mas por dentro / uma queimadura / de plumas". Permita-se. "Eis que algum dia / entregarei ao combalido corpo / a unção do martelo". O poeta, seguro de seu ofício, domina a Língua. "Saudade / é a eternidade / nas pálpebras". A obra que você tem em mãos é de exímio encantador de palavras – aproveite o espetáculo.
Canção para os seus olhos e outros castanhos -
Angel Cabeza
Urutau
2019
75 páginas
2h 30m
ISBN-13: 9788571050991
Português Brasileiro
Edições (2)
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