Este livro é resultado do programa de entrevistas Pinga-Fogo, segunda edição, transmitido ao vivo pela TV no início da década de 1970, através do canal 4. Chico Xavier esclarece vários assuntos como o Umbandismo, a pena de morte, as crianças excepcionais, os hippies, os transplantes, a cremação, a superpopulação, a homossexualidade, o amor livre e outros temas de palpitante atualidade.
Dos Hippies aos Problemas do Mundo -
Francisco Cândido Xavier, Emmanuel
Edições (1)
Ver maisMeu pai teve muita dificuldade em prosseguir no emprego que ele ocupava, no ano de 1925. Então, desde esta data, sentindo muita dificuldade para sobreviver como trabalhador, ele se entregou à profissão de cambista, vendia bilhetes de loteria, e vendeu bilhetes de loteria por mais de trinta anos consecutivos. Mas, em 1939 meu pai caiu em estado grave, com um reumatismo muito renitente, este reumatismo impôs a ele uma certa paralisia durante algum tempo. Nesta ocasião, as duas pessoas que trabalhavam em casa éramos ele e eu. Mas não conseguíamos muita coisa além dos duzentos mil réis, antes do cruzeiro. De modo que os médicos aconselharam que ele usasse um tipo de injeções que naquele tempo eram chamadas de injeções de ouro. Eu não sei classificar do ponto-de-vista de farmacologia, o termo exato, mas cada injeção custava, naquele tempo, 150 mil réis. Ele era obrigado a usar duas por mês. Então o nosso numerário dava mais ou menos para as duas injeções, e ficamos atrasados com as despesas da família, durante quase um ano, porque as injeções restituíram a ele a saúde, ainda por muito tempo. No ápice da moléstia, saiu a lume a obra "Brasil, coração do mundo, Pátria do Evangelho", de autoria de um dos nossos maiores escritores desencarnados no Brasil, e amigos de Belo Horizonte chegavam em nossa casa comentando o êxito do livro, porque o livro estava sendo muito bem aceito. Meu pai ouvia tudo aquilo com muita curiosidade. Então, um dia ele estava sem poder manejar as mãos nem as pernas, até que as injeções de ouro o restabeleceram. Então, aquele banho, aquele movimento de arranjo no leito, estes movimentos eram feitos por nós, ele e eu, a sós. Então ele me disse: "Chico, eu soube que este livro que saiu de você foi entregue a benefício das almas, e nós também somos almas, e dizem que você também entregou este livro a beneficio da pobreza, e eu creio que não existem pobres mais pobres do que nós, agora. E você podia agora arranjar um livro para nós ganharmos algum dinheiro, porque nós estamos muito atrasados no armazém." Eu disse: "Papai, o senhor não deve pensar nisto, porque o senhor sabe, nós temos muitos amigos, todos nos ajudam, mas como paga, vender o trabalho dos bons espíritos, isto não é possível, eles não permitem isto. Nós estamos na mediunidade, com absoluto desinteresse, os livros são deles, não são nossos, e eu peço ao senhor para não pensar nisso não. O senhor não fica preocupado com isto, porque suas filhas, minhas irmãs, os filhos, os pequenos vão crescer, isto tudo vai melhorar, nós todos vamos trabalhar, e na hora da dificuldade nós todos devemos, mas depois pagamos, e os nossos amigos de Pedro Leopoldo são sempre boníssimos, eles vão nos ajudar, os nossos credores." Ele disse "mas, meu filho, você não pode receber um tostão destes livros?" Eu falei: "Como paga, meu pai, não posso receber." Ele disse: "Meu filho, então seus espíritos estão muito atrasados." "Isto é, gente que já morreu há muitos mil anos", "no tempo que nada tinha preço". E meu pai, que não entendia bem de literatura, nem deste mundo nem do outro, me disse assim: "Imagine que eles são bem antigos, que em vez de eles assinarem Manuel, eles assinam Emmanuel. E gente do Egito, gente que não conheceu rádio, que não conheceu preço do feijão, porque eu acho que estes espíritos, se eles são caridosos, deviam ter dó de nós." Eu fiquei assim constrangido, porque de fato era meu pai, aquela queixa dele era a queixa de um doente, que eu não podia transmitir a ninguém, então foi um dia que eu fiquei assim muito triste, com os olhos cheios de água, pois ele era muito bom, então ele falou comigo assim: "Olha, eu não vou te acariciar, porque minhas mãos não estão funcionando, mas não fica triste com o que eu falei segue para frente com seus livros, com seus espíritos, porque eu vendo bilhetes de loteria, e naturalmente que breve eu vou partir para o outro mundo, e eu lá, a hora que morrer, meu filho, vou parar a roda para você. Quando for o mês de junho, mês de dezembro, você compra bilhete da Loteria Federal, que eu vou parar a roda e as bolas para você ganhar.
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