"Medita, portanto, sobre essas coisas e outras afins dia e noite, por ti mesmo e com companheiros semelhantes a ti, e nunca serás perturbado, desperto ou adormecido, mas viverás como um deus entre os homens, pois em nada se assemelha a uma criatura mortal o homem que vive entre bens imortais."
O livro Vidas e Doutrinas dos Filósofos Ilustres, de Diógenes Laêrtios, é na verdade um "compilado" de diversas outras obras (a maioria, creio eu, ele simplesmente copiou sem ler), seguindo cronologicamente os filósofos, suas histórias de vida e suas doutrinas.
Sua importância histórica se dá exatamente nisso: é a principal fonte para sabermos como exatamente tais filósofos viveram e como eram seus ensinamentos (apesar de os relatos do livro, por vezes, serem fantasiosos, ou as mesmas histórias se repetirem em mais de um filósofo). A leitura pode ser maçante por vezes, principalmente (pelo menos para mim) durante questões físicas e dos corpos celestes, em que o texto passa várias páginas descrevendo como os filósofos entendiam o comportamento e do que eram feitos os astros, como a lua e o Sol. Apesar de ser interessante saber como eles viam os fenômenos da natureza, pode ser cansativo ler, durante vários parágrafos, uma descrição minuciosa destes eventos.
Entre os pontos positivos do livro estão as estórias de vida, anedotas e como morreram os filósofos - algo que não costumamos ler ou ouvir em outros lugares, e isso nos aproxima grandemente da vida cotidiana deles. Ademais, nas últimas páginas do livro de Epicuro está a afamada Carta a Meneceu, particularmente sobre a felicidade. Devo dizer que somente pela presença dela já vale a pena a dedicação e persistência necessárias para a leitura do livro: a frase do início desta resenha faz parte do parágrafo final da Carta.